Não é o critico que conta; nem aquele que aponta para o homem forte que tropeça; não o homem que aponta para o homem forte que tropeça, ou que diz que os que realizaram algo o podiam ter feito melhor.

O crédito pertence ao homem que está de facto na arena, com o rosto desfigurado pela poeira, suor e sangue; que se esforça com valentia; que erra, que falha vezes sem conta, pois não há esforço sem erros e falhas; mas que se esforça realmente para lograr as suas ações; que conhece grande entusiasmo, grandes devoções; que se consome pela causa digna; que, no melhor dos casos, conhece no final o triunfo dos grandes feitos e que, no pior dos casos, se falhar, pelo menos falha enquanto ousa ser grande…”

Theodore Roosevelt


 

Ousar ser grande não tem a ver com ganhar ou perder. Tem a ver com coragem, e em última instância, com permitirmo-nos simplesmente viver. Quantas e quantas coisas deixamos de fazer ou experienciar por não ter coragem de dar aquele passo? Consegues enumerá-las?

Talvez te surpreendas com uma lista que se torna extensa, quando acedes à tua verdade. E, se há alturas em que conseguimos contornar ou aceitar essas decisões, quer seja por as substituirmos por outras, ou pura e simplesmente porque as passamos à frente, a verdade é que em determinada fase da nossa vida começamos a sentir um vazio, uma profunda angústia. Talvez experimentemos a sensação de não sabermos quem somos, ou a constante sensação de derrota, como se a soma de tantos “não arriscar(es)” nos desconectasse de tal forma que deixemos de nos encontrar!

O que é que nos dá tanto medo? Porque é que tantas e tantas vezes nos escondemos? O que nos impede de nos mostrarmos ao mundo? Porque consigo arriscar em determinadas situações e noutras é tão difícil?

Quando a nossa autoestima não está em causa, quando as circunstâncias não ameaçam uma certa imagem de nós mesmos, estamos muito mais dispostos a ser corajosos e a arriscar partilhar os nossos talentos e dons! Mas nas situações em que sentimos o perigo, que tantas vezes é somente ser Visto, retraímo-nos e distraímo-nos. Como se não fosse importante. Como se outras coisas nos chamassem. E com isso perdemos tantas vezes a alegria e o prazer de viver.

O que é que eu tanto tento proteger? Porque me mascaro para poder caminhar na vida, sem que os outros vejam aquilo que eu mais anseio mostrar? Do que é que eu tenho verdadeiramente medo? O que está em causa, aquilo que protegemos acima de tudo, não são as nossas falhas. É a nossa vulnerabilidade.

Na nossa cultura, vulnerabilidade está relacionada com ser-se fraco. Porém, Brené Brown diz que a vulnerabilidade soa como a verdade e sente-se como a coragem. Só que, ao chegar aqui, encontramos também a incerteza, o risco, a exposição emocional.  Haverá maior ato de força?

A maioria de nós caminha pela vida na tentativa de “afastar o sofrimento”, e por isso, perante a possibilidade de brilhar, muitas vezes escolhemos não o fazer, pois isso implica que em algum momento teremos que nos confrontar com os “demónios” e mitos internos. 

Talvez estejas familiarizado com algumas vozes na tua mente, o teu critico interno, ou o patriarca! Vozes que se ativam no momento de “ousar”, essas que te repetem vezes sem conta: és um fracasso, não vão gostar de ti, não és suficientemente bom, podes fazer melhor…. Tocamos assim naquilo que se esconde nas nossas caves internas: as nossas sombras. Porque todos temos uma história e todos carregamos vergonha, culpa, momentos em que sentimos que a nossa criança não teve colo e sofreu… por isso fugimos do desconforto da vulnerabilidade. Mas quando eu fujo da vulnerabilidade, eu fujo do sentir, quando eu fujo da vulnerabilidade, eu adormeço-me. E isso impede-me de viver por inteiro.

Se hoje fosse o último dia da tua vida, o que ousavas fazer em detrimento do medo ou da vergonha?

E no dia de hoje, o que escolhes fazer?

 

PATRÍCIA BENTO
TUTORA DE TERAPIA TRANSPESSOAL, CÍRCULOS DE MULHERES E RESPIRAÇÃO HOLOSCÓPICA – EDT