Há que parar

Por vezes, não sabemos o que buscamos. A falta de clareza consome mais do nosso tempo do que tudo o resto.
O que é essencial?
O que é acessório?
O que é ilusório?Basta-nos a vida que temos? Somos nós suficientes para a vida que queremos? Somos nós suficientes para o que a vida quer de nós?Ora a vida… …se não fossem aqueles pequenos, pequenos, pormenores…
…o atraso para aquela reunião; a avaliação medíocre naquele item minúsculo, o vinco na roupa, a nódoa!, o cabelo despenteado, a resposta que não sabemos, a resposta certa que demos no tempo errado, a chamada que não ouvimos no telefone, os 50 cêntimos a menos, a cara que se virou para o outro lado no momento em que sorrimos, a empregada antipática, o buraco na meia, a poça de água, as três tarefas para fazer ao mesmo tempo, a piada de quem ninguém se riu, a notícia da qual tínhamos de ter sabido e, claro, a tecnologia…

E vêm aqueles dias… aqueles… em que temos muito mais duvidas do que certezas. Aqueles em que NÃO SEI está presente em todas as nossas ações.
A vida… às vezes parece que não lhe ensinaram “boas maneiras”…

Mas… recebemos também neste pacote “vida”, o Livre Arbítrio. O Discernimento.  A Consciência. A Vontade. Nasceram connosco. Da mesma forma que algumas circunstâncias.

O que fazemos com aquilo que nos foi dado? O que escolhemos ver? O que escolhemos usar? O que escolhemos semear? Quem dera que o discernimento, o foco, a clareza, fossem tão fáceis e rápidos de “instalar” como as apps nos telemóveis! Um “touch” e voilá!

Assim não é. As apps são fáceis de aplicar. Mas têm prazo de validade. Caducam. Servem só para determinado objetivo. A consciência, a clareza e a presença não são apps. Mas não caducam, não têm prazo de validade e aplicam-se a cada instante da existência.

Há que parar. É, há que parar. De tantos estímulos que temos no exterior, só conseguimos escutar o nosso “estímulo” interior se nos aquietarmos. Se queremos escutar uma música, paramos o ruido… Se queremos escutar “a nossa música”, a que toca dentro de nós… …teremos que fazer o mesmo. Há que fazer Silêncio. Há que respirar, sabendo que o fazemos. Há que dar espaço à vida para que esta aconteça. Há que viver, sabendo que estamos vivos.

Por quanto tempo? O tempo suficiente. Quanto de nós queremos escutar? Uma canção? Um cd? A obra completa?

Parar não é fácil… …mas a verdade é que a falta de Clareza consome muito da nossa vida. Consome muito de nós mesmos…

É no silêncio que descobrimos o prazer de estar connosco mesmos. É na quietude que o amor que testamos o amor próprio. É no agora que encontramos a oportunidade perfeita para ser quem somos. E perceber que chega perfeitamente.

Mónica Ferreira
Terapeuta Transpessoal
Consultora em Mindfulness Transpessoal