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Entrevista à aluna da formação de “Facilitadora T. Circulos de Mulheres”  – Mafalda Arnauth – pela tutora Margarida Monarca

Mafalda, porque procuraste a formação em Facilitadora Transpessoal de Círculos de Mulheres?Houve um momento em que percebi, enquanto Terapeuta Transpessoal, que os meus casos eram todos com mulheres e que os temas me tocavam particularmente na minha relação com o meu próprio Feminino. Sempre senti esta dualidade dentro de mim – Masculino e Feminino – e uma necessidade de olhar o meu feminino.

Quando comecei a fazer a formação, os temas semanais foram-se tornando importantes para as questões dos casos que estava a acompanhar e também para trazer à consciência, para dar uma nova luz aos meus próprios temas. Pensava, a um nível racional, que seria o resgate para as outras mulheres e afinal descobri que foi principalmente o resgate da minha mulher interna.

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Que partes de ti, enquanto Mulher, descobriste ou revisitaste com mais clareza durante a formação?

Temas como os mitos e a Jornada da Heroína tocaram-me tão profundamente que ainda agora me sinto a processar internamente; estão a ajudar-me a perceber de que forma o meu patriarca interno estava definitivamente instalado em mim.
Este espaço de formação trouxe-me a capacidade de reconstrução; alguns dos pilares nos quais assentei muitas das minhas formas de estar na vida abanaram imenso e aos poucos tenho vindo a conseguir retirar o que já não quero sem que a “casa” venha abaixo. Por exemplo, o mito da “Supermulher” – a que consegue chegar a tudo – é algo a que tenho vindo a dar atenção porque, conhecendo-me como me conheço, sei que oscilo entre aquela que se esgota e aquela que fica passiva e não funcional para não se esgotar.

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O que sentes que o Círculo traz para as mulheres que o integram?

Para mim tem sido sobretudo o reconhecimento e a ressonância. Este apaziguar das minhas muitas partes tem-me permitido dar um salto em termos de aceitação e integração do que existe em mim.

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De que formas sentes que esta formação se incorporou no teu trabalho e percurso enquanto Terapeuta Transpessoal?
Em muitas situações, sinto uma necessidade muito menor de falar, de racionalizar, de terapeutizar… é como se tivesse feito um resgate da minha presença tão somente enquanto presença sanadora, falando e fazendo menos.
Quando escuto realmente, deixo de sentir a necessidade de salvar, de resolver ou de proteger o outro e, atualmente, sinto que consigo criar um outro espaço em termos terapêuticos.

MARGARIDA MONARCA
TUTORA “FACILITADORA CIRCULOS MULHERES” – ESCOLA DE DESENVOLVIMENTO TRANSPESSOAL