“Vivemos sempre os nossos valores. A grande descoberta é encontrá-los exatamente no lugar onde estamos. Agradecer por eles. E, num trabalho de aprofundamento interno e ação, criar a forma através dos quais os podemos expressar melhor. ” 


 

Atualmente vejo imensas pessoas em busca do seu propósito de vida e não deixo de refletir sobre isso e de me questionar… Afinal, todos nós vivemos o nosso propósito de vida, ainda que não tenhamos consciência disso.


Propósito de vida”, “missão de vida”, ou mesmo, “sentido de vida” são conceitos referentes à mesma coisa e que (re)nasceram na corrente da psicologia positiva, associados ao conceito de felicidade – “Se as pessoas viverem o seu propósito de vida são pessoas mais felizes.


Contudo, hoje em dia, deparamos com duas grandes questões que impedem muitas pessoas de verem que já estão a viver o seu propósito de vida:
1) Uma delas é considerarem que só são felizes se tiverem um excelente relacionamento, se tiverem um trabalho maravilhoso sem qualquer problema, se…. E os “se” continuam, ou seja, as associam a felicidade a algo que está fora e a áreas de vida;
2) A outra é que muitas vezes associam o propósito de vida à área do trabalho e da carreira, como se o propósito de vida só se pudesse viver aqui ou que dependesse desta área de vida.
Talvez seja importante pararmos e perguntarmo-nos: “O que é que me faz feliz?” ou “Como posso ser mais feliz?”.


Vitor Frankl, médico psiquiatra austríaco, fundador da Logoterapia, uma psicoterapia que que explora o sentido existencial do individuo e a dimensão espiritual da existência, relata a sua experiência nos campos de concentração, na obra “Um homem em busca de um sentido”. Durante esta sua vivência, ele observou que as pessoas que tinham um propósito eram as que sobreviviam, ou seja, as pessoas que davam um significado à sua experiência aceitavam e lidavam melhor com o que a Vida lhes trazia em cada momento.


Então, para sermos mais felizes é importante resignificar as nossas vivências/experiências? Sim e não. Não, porque pode não ser apenas e o suficiente. Sim, porque quando damos significado, sentimo-nos vivos, com um sentido, com uma missão de vida. E isto pode ser a diferença entre “sobreviver” (ser vitima) e “viver” (ser protagonista/responsável) em cada momento da nossa vida.


E se podemos ser o protagonista da nossa vida e dar um propósito à tua vida, a pergunta é, qual ou quais os valores que queremos viver nesta vida? Qual o valor que queremos que fique marcado na nossa pessoa, nesta vida?


Quando colocamos esta questão, estamos a referir-nos ao Propósito Interno, que vai variar consoante os valores de cada pessoa. Contudo, a questão é que muitas vezes pensamos que não estamos a viver os nossos valores e por isso não somos felizes.


John Demartini, especialista em comportamento humano e desenvolvimento pessoal, vem dizer-nos que não podemos não viver os nossos próprios valores, isso é apenas uma mentira que contamos a nós mesmos. Podemos é não estar a viver os nossos valores de acordo com as nossas expectativas, com aquilo que achamos que deve ser e não é. Por exemplo, imaginemos que um dos meus valores era a “Comunicação” e, na minha expetativa, para viver este valor devia estar a fazer palestras e a escrever para um blog, mas na verdade estou a trabalhar num serviço de atendimento ao público. A verdade é que eu vivo o valor da Comunicação, fazendo o que faço agora.


Ou, para um valor de “Amor (ao outro)”, eu considero que, para manifestar este valor deveria acompanhar pessoas em terapia, mas sou cozinheira. Como cozinheira, não viverei o valor do “Amor”?


É contexto para se dizer que as expectativas “estragam tudo”. Porém, não se vive sem expetativas, apenas podemos estar mais atentos a elas. E começar a pensar: o que quero priorizar na minha vida? Onde quero colocar o foco da minha vida? De que forma quero viver a minha vida? Como quero vivenciar os meus valores?


Quando passamos ao “como”, entramos no reino do Propósito Externo.


É preciso olharmos para este percurso com atenção, pois, tantas vezes nos esgotamos a lutar por um Propósito Externo, por essa Missão, esquecendo-nos do Propósito Interno, dos valores que nos guiam intimamente e que – esses sim! – dão verdadeiro sentido ao Caminho.


Quanto mais conectado estiver o nosso Propósito Interno ao nosso Propósito Externo, mais feliz nos sentiremos, com maior sentido na vida.


Então, quando se trabalha a nível de Propósito, a proposta será sempre – e por esta ordem – perguntarmo-nos:
– Quais são os meus valores?
– Como os posso pô-los em prática (vivê-los) na minha vida?


Vivemos sempre os nossos valores. A grande descoberta é encontrá-los exatamente no lugar onde estamos. Agradecer por eles. E, num trabalho de aprofundamento interno e ação, criar a forma através dos quais os podemos expressar melhor.

 

 

SÍLVIA DIAS
TUTORA DE “TERAPIA TRANSPESSOAL” DA EDT