“Toda a gente tem medo de alguma coisa. Se conheceres os teus medos, ficarás um passo mais longe de permitir que eles te dominem…. No campo de batalha, um rosto intrépido ajuda-te a conservar a força. Se vestires o semblante de coragem, a coragem em si torna-se mais fácil de alcançar.”

Juliet Marilier, in “A chama de Sevenwaters”


 

Há uns tempos encetei uma autora que não conhecia, mas cujo livro já andava a marinar, A Filha da Floresta, da autora Juliet Marilier. São romances. Mas são romances que bem podem ser livros de conexão connosco mesmos. Como sempre, este desde onde estamos a viver, neste caso a ler, faz toda a diferença. Podemos ler como um simples romance, como podemos ler com os olhos da alma. E sem dúvida há esse convite nestes livros.

Com estas leituras muito tem vindo de valores pessoais, de simplicidade, de compaixão, a amor ao próximo, de coragem, de recordar “aquilo que importa”, de medos e de individuação!

Falo-vos de forma muito breve de individuação:

Termo “cunhado” por Carl Jung, a individuação consiste num processo através do qual o ser humano evolui de um estado infantil de identificação para um estado de maior diferenciação, o que implica uma ampliação da consciência. Através desse processo, o indivíduo identifica-se menos com as condutas e valores encorajados pelo meio no qual se encontra e mais com as orientações emanadas do Si-mesmo, a totalidade (entenda-se totalidade como o conjunto das instâncias psíquicas sugeridas por Carl Jung, tais como persona, sombra, self, etc.) de sua personalidade individual.

Mas, seguir o nosso caminho, a nossa autenticidade, requer coragem e pés bem assentes na terra, um ego maduro (estruturado), uma personalidade que saiba discernir o que quer ficar para trás e para onde devemos seguir; o que nos condiciona e o que nos liberta…

O processo de sermos quem somos, ou de nos tornarmos isso, implica que aceitemos o todo, tudo aquilo que somos, a nossa totalidade, ou seja, o bom e o mau em nós. Implica que aceitemos que não há culpados nas nossas histórias, há personagens, com ações, que geram consequências. O que eu faço com isso é outra história! Implica sair do estado infantil, de identificação com a família, com os pais, a comunidade a que pertencemos e através da ampliação de consciência de quem somos. Passando assim a um estado de maior diferenciação de nós mesmos. O processo de individuação é fundamental para qualquer um de nós viver aquilo que nasceu para viver, para encontrar em nós a nossa mais profunda verdade e viver nela.

Viver a autenticidade implica despirmo-nos das máscaras que usamos para nos defendermos do mundo; e isto não significa que eu tenha que ser irreverente, que me marginalize, que viva em busca de culpados… essa pode ser uma fase, mas se eu me mantenho aí, eu só evoluo da criança ferida para a adolescente ferida, não chego à pessoa madura.

De regresso ao ponto de partida, os livros de Juliet Marilier, tem sido um grande mergulho, através da ficção, que tem recordado a importância de sermos na totalidade em vez de ficarmos à espera daquilo que nos podemos tornar!

O processo de individuação é constante. Eu diria que é a vida a acontecer e eu a fazer algo de bom com ela!

 

PATRÍCIA BENTO
TUTORA DE TERAPIA, RESPIRAÇÃO HOLOSCÓPICA E CÍRCULOS DE MULHERES