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Entrevista ao aluno da formação de “Terapia Transpessoal”  – Jackson Dualibi – pela tutora Patrícia Rosa-Mendes

Antes de mais, grata por aceitares realizar esta entrevista e partilhares a tua experiência connosco, Jackson. Gostaria de começar por te perguntar “o que é que parati significa acompanhar o outro em processo terapêutico?”  

Bom… para mim, começo logo com a questão da presença… a importância de estar presente. Depois, ouvir, o estar aberto a ouvir a pessoa. E em terceiro, o não julgar. A partir daí, tendo em conta a dinâmica que vai acontecendo, acho que você pode ter também a oportunidade de utilizar algumas técnicas, de colocar algumas possibilidades, para que a pessoa possa, ela mesma, descobrir algumas coisas e chegar a algumas conclusões sobre a própria vida. É importante não impor nada e simplesmente abrir possibilidades para que a pessoa tome consciência.

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O que te parece imprescindível na bagagem do terapeuta?

Imprescindível, para mim, é o terapeuta passar também por esse processo, ele usar consigo mesmo tudo aquilo que usa com os outros. E há outra coisa que também acho fundamental, e que é difícil hoje – acreditar no ser humano. Acreditar que sempre há uma possibilidade, que sempre tudo passa, que estamos aqui de passagem e para ganhar experiência.

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Verdade… Confiança no Ser Humano, é imprescindível, sem dúvida… E enquanto terapeuta, quais dirias que são os teus maiores receios?

Os meus maiores receios, as minhas dúvidas, estão talvez em não ver bem uma determinada questão, e talvez, em não colocar as questões mais adequadas à situação de um paciente, ou, ainda que tentando não julgar, que o acabe por fazer em algum momento. No fundo, o receio está em levá-lo para um caminho que não seja o melhor, ainda que, no final, tudo tenha um “porquê”. É por isso que é preciso estar presente o mais intensamente possível, para que as coisas possam aflorar. Na verdade, creio que o meu maior medo é colocar demasiada expectativa no facto de lhe ir dar ou ter de dar alguma solução, apesar de, na verdade, não ter que colocar essa expetativa.

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Esses receios ressoam muito em mim e creio que na maior parte dos terapeutas também… Ao longo deste curso, destes dois anos, qual é que dirias que foi a maior descoberta sobre ti mesmo?
O meu redescobrir. Eu não achava que tinha essa capacidade de acompanhar os outros, que isso não era um dom meu. E isso foi-se desenvolvendo, foi brotando em mim essa necessidade de apoiar os outros, de olhar desde um ponto de vista mais transpessoal, mais transcendente. Eu fui descobrindo essa capacidade em mim.
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Isso é bonito, verdadeiramente bonito… E, finalmente, colocava-te uma última pergunta: “se o papel de terapeuta fosse ou tivesse uma imagem, que imagem seria?”

Eu acho que seria a de um curandeiro… se fosse assim para outras épocas. Um mago, é.… seria um mago, algo nesse sentido..
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Obrigada Jackson, creio que não podíamos terminar com uma melhor imagem. Muito obrigada pela tua disponibilidade e pelas respostas a esta entrevista.

PATRICIA ROSA-MENDES
TUTORA TERAPIA TRANSPESSOAL – ESCOLA DE DESENVOLVIMENTO TRANSPESSOAL