COM.UNIDADE EDT – Entrevistas a Alunos

COM.UNIDADE EDT – Entrevistas a Alunos

Um espaço para partilhar e dar voz à crescente Com.Unidade EDT


Entrevista à aluna da formação de “Facilitador(a) de Constelações Familiares” – Marta Muriel – pela formadora Ana Sofia Correia

O que te levou a tirares uma formação de Facilitador de Constelações Familiares neste momento da tua vida?

Eu não me sentia propriamente pronta para esta formação. Tive uma experiência durante a minha formação em Psicoterapia Gestalt, e gostei muito, mas percebi que era uma formação forte a nível pessoal e que a nível profissional não estava pronta para estar ao serviço de outras pessoas – achava que era de um respeito máximo estar a mexer no sistema de outros…mas adorei, além de adorar a minha terapia individual que era feita com Constelações, com a minha terapeuta em Barcelona, achei o máximo. Percebi que era uma das formações que eu queria fazer e foi nesta etapa da minha vida que me senti pronta, com maturidade para estar ao serviço dos outros. A verdade é que no meu trabalho a parte sistémica dá-me muita informação para trabalhar e perceber o que se passa com as crianças.

.
Porquê a Escola de Desenvolvimento Transpessoal? 

Pesquisei informação na internet, uma amiga fez alguma partilha, vi que tinha amigas que conheciam a escola e isso deu-me confiança, transmitiu-me segurança, até porque senti que ia ser muito vivencial e prático, tal como eu gosto.

.
Qual o momento mais marcante para ti ao longo destes 10 meses de formação?

Acho que tudo…no início muita teoria, muita informação que percebia, mas que ainda não fazia tanto sentido. O momento em que começamos a praticar as constelações, ali foi um momento de “uff” … isto é mesmo para fazer assim, ou seja a experiência, o fazer; também houve uma constelação individual que tocou mais no coração… mas foi esse o momento.

.
Quem és tu agora Marta, quem é a pessoa após esta passagem?
Eu acho que… cresci a nível pessoal, ganhei maturidade, confiança, acho que sou mais madura e que consigo perceber melhor o outro. Consigo perceber aqueles que ajudo, mas sem levar para mim, olhar o outro com respeito, com mais compaixão…
.
E quem é a Marta facilitadora? O que queres levar ao Mundo com as Constelações? 

É estar ao serviço do outro, estar ao serviço do Universo, das pessoas que me chegam… E quero dar ao Mundo, sossego, compreensão, consciência, amor, liberdade… a Marta facilitadora quer estar para os outros.
Tudo isto tem a palavra Gratidão!

 

ANA SOFIA CORREIA
FORMADORA DE “CONSTELAÇÕES FAMILIARES” – EDT
A Via do Amor Próprio

A Via do Amor Próprio

“Atingir o sítio onde dói é, por vezes, o caminho mais curto para a alma.” 

Thomas Moore


 

Amar é um “sacrifício”.

Um sacro-ofício, um ofício sagrado que exige compromisso, que pede dádiva, entrega e fé e onde negociamos constantemente com crenças, feridas, desilusões, ilusões, necessidades e projeções, tentando-nos manter à tona – navegando, respirando ar em golfadas entre o êxtase e a noite escura da alma… É uma maratona, não um trilho rápido em corta-mato.

Amar é, também, uma tarefa de responsabilidade. Particularmente quando falamos de amor próprio, nosso, único e individual, que não podemos entregar a mais ninguém. Porque ninguém nos sabe amar – e des-amar – como nós mesmos.

As chaves do Reino estão na nossa posse desde sempre, mas nem sempre queremos entrar nos sítios mais escuros e poeirentos, abrir as janelas e deixar entrar a aragem e a luz do Sol. É difícil olhar de frente o que não nos satisfaz em nós. Os momentos de que não nos orgulhamos, as partes que escondemos do outro, o que achamos impossível de ser amado. Por isso, caminhamos muitas vezes pela vida com o cuidado de ver se não está nada de fora, se as palavras são as certas para o momento, se a roupagem exterior não tem etiquetas que nos embaracem à vista. E esquecemo-nos de que somos sempre vistos, por mais que nos escondamos. Alguém nos lê, atravessa, abarca. E, com sorte, abraça.

Mas, como referia antes, o amor é um ofício sagrado e, por isso, não precisa que tudo esteja perfeito, contido e arrumado nas suas caixinhas. O amor precisa é de espaço, de abertura e da tal responsabilidade. Quanto mais se mergulha no mar que habita cada um de nós mais se vai descobrindo as cavernas onde nos perdemos, onde deixámos sonhos, sorrisos, esperanças, num percurso em apneia que nos puxa pela coragem, vulnerabilidade e autocompaixão.

É a responsabilidade que nos guia até lá. A madurez do adulto, de mão dada com a inocência da criança.
Simultaneamente, quase milagrosamente, encontramos pelo caminho as estórias de aventuras que nos permitimos viver, as personagens que adotámos, os mistérios em que nos envolvemos, pedaços de gargalhadas que ficaram presos algures. E vão dando fôlego na travessia.

Aquele que abraça o sacro-ofício de se amar por inteiro sabe que está, de facto, numa missão sagrada – a da jornada do herói ou da heroína no retorno a casa, ao centro, ao lugar do mundo comum, depois de olhar e viver o impensável.
Uma missão para bravos de alma, sim, mas que nos permite, eventualmente, caminhar na vida mais inteiros e menos coxos; com menos distribuições de culpa e fealdade pelos outros, mais empatia ou, pelo menos, mais liberdade em relação ao que nos pesa nas costas, nos pés, no coração.

Em quem não ressoaram as palavras daquele antigo anúncio: “se eu não me amar, quem me amará?”.

O sagrado está escondido na mais profana das experiências… 

Lembremo-nos, de um simples respirar.

 

 

MARGARIDA MONARCA
TUTORA MINDFULNESS EM CONTEXTO EDUCATIVO E FACILITADORA CIRCULOS MULHERES – EDT
COM.UNIDADE EDT – Entrevistas a Alunos

COM.UNIDADE EDT – Entrevistas a Alunos

Um espaço para partilhar e dar voz à crescente Com.Unidade EDT


Entrevista à aluna da formação de “Terapia Transpessoal” – Sandra Nunes – pela tutora Sílvia Dias

Sandra, o que ressoou a Escola na pessoa que és?

A Escola Transpessoal ressoou na pessoa que sou hoje, para mim representou a grande e derradeira oportunidade de dar o tal passo gigante na escala da minha própria transformação.

Como uma boa entusiasta que sou, vivo cada uma das minhas experiências espirituais de uma forma superficial, pois gosto de conhecer um pouco de cada uma! Experimentei-me 1 ano e meio na Biodanza, meditações dinâmicas, Kundalini, Tai-chi, constelações familiares, tantra, thetahealing, Barras de Acess, Coaching, Pnl, Eneagrama, Inteligência Emocional, palestras e mais palestras, enfim, um sem número de terapias e afins!

A EDT apareceu numa altura em que já ia com 12 anos de um processo espiritual intenso, em que senti o quão importante seria para o meu desenvolvimento pessoal, aprofundar-me verdadeiramente em algo. Senti que estava preparada para dar consistência e forma a todo este puzzle vivencial, no sentido de aprofundar-me em algo “maior” e com um compromisso bem sério de ir mais além de mim, ir bem lá dentro curar o que está pronto para ser curado.

.
O que é para ti ser Terapeuta transpessoal?

Ser Terapeuta Transpessoal é verdadeiramente um sonho, uma vez que a psicologia tradicional já me atraia outrora, mas vejo a Terapia Transpessoal como um “upgrade” tornando-a completamente adaptada ao mundo atual.
É uma Terapia que reúne todos os condimentos necessários ao chamado da minha Alma. Apaixona-me verdadeiramente, o que faz com que me torne um Ser mais Pleno e Feliz!

.
Há mudanças em ti antes e depois da Escola?

Já existem mudanças bem significativas e consideráveis em mim após o estudo dos vários temas da terapia transpessoal – a minha consciência nunca mais voltará à mesma forma 🙂
Tudo começou com o processo de “perdão” aos meus pais, algo que teria que acontecer mais cedo ou mais tarde para continuar a crescer espiritualmente. Se isso não estivesse bem resolvido dentro de mim existiria sempre algo que me iria impedir de fluir com a vida e de viver a minha verdadeira Plenitude.

.
Como vês o Ser Humano?
O Ser Humano de Essência é Luz e Amor, só que os seus Medos e Inseguranças muitas vezes limitam essa Beleza Divina…
A sua Transformação verdadeira acontece quando se transmutam todos os traumas da infância e vivências negativas em algo “maior”, mais positivo.
“Quem conhece ama”, é uma afirmação bem profunda, quando nos damos ao trabalho de conhecer a história do outro, quais os seus medos e aspirações – é impossível não termos compaixão e amor por ele.
Todos os comportamentos têm uma explicação e cada Ser Humano é único e irrepetível, logo vem capacitado com o seu próprio Mapa Mundo, que deverá ser percecionado com olhos de compaixão, sem julgamento. 
.
O que é a Vida para ti?
A Vida para mim é uma grande dádiva, tanta Abundância para todos, tantas coisas lindas para se experienciar! A Vida é realmente mágica para quem se permite descobrir a pessoa que é e que poderá vir a ser!
A Vida é um Milagre que deve ser explorado com todos os Sentidos, de forma cada vez mais consciente e quando confiamos integralmente que “Tudo está Certo” a Vida torna-se ainda mais Bela e Sublime! 

SÍLVIA DIAS
TUTORA DE “TERAPIA TRANSPESSOAL” – EDT
O tempo para além das horas

O tempo para além das horas

“Todos os caminhos em direção à Alma se desenham dentro do silêncio. E é no silêncio que podemos encontrar a chave, o espaço e a coragem para alimentar a Alma.”

CP


 

Soa o alarme, o despertador marca o início de um novo dia. Saltamos da cama no ímpeto de ganhar tempo ao tempo. Pés no chão, sem complacência pelos sentidos atordoados ou qualquer amabilidade pelo corpo que nos adormece e que connosco amanhece desde o primeiro suspiro de vida. O mesmo corpo que esperamos que nos sustenha mesmo quando contra todas as probabilidades. Com os olhos praticamente fechados, lá vamos cambaleando para a rotina da manhã sem lhe colocar intenção senão apenas o dever cumprido. O relógio não para e os ponteiros vão ditando o compasso e a premência dos nossos gestos, entre um olhar e outro de soslaio na esperança que as horas e os minutos conspirem a nosso favor.

Saímos porta fora e lançamo-nos apressadamente à estrada, emergindo a dúvida e angústia do que terá ficado para trás. Percorremos o caminho sem limpar as nossas lentes e tampouco sem contemplar a paisagem. Não sabemos como chegamos ao destino ou em que momento do percurso o extraordinário se faz presente entre o vulgar. À nossa volta, tudo parece inalterado: os mesmos edifícios, o ruído ensurdecedor dos carros e das buzinas, os passos vertiginosos das pessoas, o olhar desligado e o corpo em piloto automático. Dentro de nós, o mesmo e constante diálogo frenético e as imagens em catadupa a nascer e morrer no mesmo lugar. Uma mente que saltita entre janelas temporais e explora caminhos insidiosos, enquanto nós vamos esquecendo dessa parte de nós que habita no profundo do Ser.

O dia vai acontecendo entre afazeres profissionais, pessoais, familiares e domésticos, dando enfim lugar à noite. No livro da nossa história, este parece ser apenas mais um dia banal entre tantos outros de vida vazia. Desprovido de sentido e desgovernado, sem fogo ou chão. O tique-taque parece dirigir a nossa vida e ser o responsável por escrever as páginas desse livro, cabendo a ele as vírgulas e reticências que determinam uma pausa para respirar. Mas, enquanto Guardião do Tempo, ele brinca de acrescentar linhas e mais linhas, e enche-as de diretivas relembrando que cada instante traz consigo a passos largos o instante seguinte, sem premiar intervalos. E desafia-nos constantemente para um fôlego rápido, sem permissão para Ser ou Sentir.

Este é o momento para assumirmos as rédeas da nossa própria história, cabendo a nós os pontos finais que sugerem uma metamorfose. A necessidade de abandonar velhos hábitos e de reescrever um novo e diferente capítulo. O nosso maior milagre é caber dentro da vida que está a acontecer, aqui e agora. E honrar esta Vida que Somos a cada instante implica aprender a desacelerar para reaprender a sentir. É preciso sentir o que ainda não foi sentido e até mesmo retornar ao que já foi sentido, levando o nosso olhar de principiante e abrindo-nos a cada experiência como se fosse a primeira vez. Apenas conhecendo-lhe o gosto, o cheiro, a textura e a temperatura poderemos abrir-nos à Vida tal como se manifesta e É, na sua magnitude e explosão de sabores. Só quando deixarmos de engolir a vida sem a mastigar, poderemos aprender a saborear a mesma. Poderemos até surpreender-nos ao descobrir que a própria felicidade reside na capacidade de aceitar com alegria o que a vida nos dá e em soltar com a mesma alegria o que ela nos retira, como em tempos proclamou Santo Agostinho.

Não se trata de atrasar os relógios, evitar os compromissos ou fugir às responsabilidades. Sair da armadilha que nos torna reféns das circunstâncias externas requer começar a viver o mundo diretamente, desde um lugar diferente. Implica largar as “saias da nossa mente” para habitar o nosso corpo e religar com os nossos sentidos. Abrir a porta da consciência e da liberdade, desligando o nosso piloto automático e fazendo escolhas conscientes no sentido de alinhar as nossas intenções e ações. À medida que formos cultivando esta atitude, poderemos descobrir-nos gradualmente a viver desde um ponto sensorial mas também desde um lugar profundo e intuitivo, que nos desperta para o que está a acontecer dentro e fora de nós, a cada momento.

Esta atenção plena, treinada e ancorada no silêncio, é o que nos ajuda a conectar com a nossa Essência e a identificar o que debilita e nutre a Alma. Através dela podemos compreender como restabelecer o equilíbrio quando nos sentimos esvaziados dos nossos recursos internos. Todos os caminhos em direção à Alma se desenham dentro do silêncio. E é no silêncio que podemos encontrar a chave, o espaço e a coragem para alimentar a Alma.

 

 

CÁTIA PINTO
TUTORA MASTER EM CONSULTORIA MINDFULNESS – EDT
Olhar as nuvens e contar formigas

Olhar as nuvens e contar formigas

“A imaginação é o nosso maior poder no respeita às viagens da alma, pois só ela é capaz de lhe aceder diretamente.”

PRM


 

Quando eu era pequena o meu pai levava-me com ele, ao fim de semana, para uma antiga fábrica onde ele e um amigo construíam, de raiz, um barco à vela. Era o seu hobby e dedicava-lhe o tempo que conseguia e, apesar de não haver rigorosamente nada para fazer ali, eu também ia. Ocupava o tempo a passear pelos corredores escuros e altos, a observar as máquinas antigas e abandonadas e a passar pelas pontes em ferro. De alguma forma, entretinha-me a contar estórias a mim mesma, a fantasiar, a viver naquele cenário industrial todas as aventuras que a imaginação conseguia criar.

Hoje, olho para trás e recordo com nostalgia os momentos da infância que me permitiram passar longas horas sem realizar nada, sem tentar chegar a lado algum, apenas vivendo o momento com os meus recursos internos; sinto-os como horas de grande riqueza, a par daquelas em que mergulhava em longas leituras, imaginando os personagens e cenários por onde ia passando.

Com estas pequenas vivências, às quais ninguém dava grande importância – porque assim era a vida – pude aprender a cultivar a imaginação, essa faculdade da mente humana que nos permite, entre muitas e importantes coisas, criar. Einstein disse um dia que entre a imaginação e o conhecimento, preferia a primeira ao último – era a imaginação que nos permitia abarcar tudo, até aquilo que nos parecia impossível. É a essa capacidade de imaginar – em especial de imaginar o que ainda não existe – que devemos muitos dos nossos atuais avanços civilizacionais.

Hoje, porém, a imaginação aparenta ser o parente pobre da educação e é desvalorizada em relação aos factos e às competências tecnológicas, perfeitos estandartes de inteligência e habilidade. A própria criatividade, palavra que anda de mãos dadas com a imaginação, parece ter sido desvirtuada pela nossa cultura e entrado na categoria dos dons raros, que só bafejam alguns seres especiais ou geniais, e que foge a todos os comuns – “Ah, eu não tenho jeito nenhum para dançar/pintar/cantar…”

Não ter de chegar a lado algum, não ter de ser produtivo e útil, embeber-se de espírito de brincadeira tornou-se quase pecaminoso nesta realidade que construímos e onde cada momento do dia precisa de ser ocupado, as atividades de lazer são planeadas ao minuto e transformam-se em obrigações, e os ecrãs dos nossos smartphones ocupam a totalidade nossa visão. Parar apenas, observar o mundo sem pixéis, religar-se à Natureza, são as formas de cultivar a disponibilidade, o espaço e o tempo que a imaginação requer. Requer uma entrega ao momento, uma atenção aberta e vontade de brincar.

A imaginação brota da mesma fonte inesgotável dos sonhos, daqueles em que nos embrenhamos à noite ou daqueles que temos para a vida. Como dizia António Gedeão, são os sonhos (essa imaginação), que fazem o mundo pular e avançar. Sem a capacidade de imaginar, perdemos a capacidade de sonhar, e em última análise, de criar. A imaginação recorre a esse imenso acervo interno a que chamamos imaginário, uma biblioteca infinita, em grande parte imersa no nosso inconsciente e que nos traz a riqueza, as formas e as cores do nosso mundo interno.

Carl Jung dizia que era necessário viver os nossos símbolos e contar as nossas estórias, para nos sentirmos verdadeiramente vivos. Talvez seja novamente altura de trazermos às nossas vidas momentos sem tempo, onde nos permitimos estar apenas a olhar as nuvens ou a contar as formigas nos carreiros. Momentos de total abertura à nossa imaginação, onde podemos dançar ou pintar, escrever ou contemplar o pôr do sol. Momentos sem agenda, sem lembretes, sem objetivo nem utilidade.

A imaginação é o nosso maior poder no respeita às viagens da alma, pois só ela é capaz de lhe aceder diretamente.

 

 

PATRICIA ROSA-MENDES
TERAPIA TRANSPESSOAL – ESCOLA DE DESENVOLVIMENTO TRANSPESSOAL
COM.UNIDADE EDT – Entrevistas a Alunos

COM.UNIDADE EDT – Entrevistas a Alunos

Um espaço para partilhar e dar voz à crescente Com.Unidade EDT


Entrevista à aluna da formação de “Facilitadora T. Circulos de Mulheres”  – Mafalda Arnauth – pela tutora Margarida Monarca

Mafalda, porque procuraste a formação em Facilitadora Transpessoal de Círculos de Mulheres?Houve um momento em que percebi, enquanto Terapeuta Transpessoal, que os meus casos eram todos com mulheres e que os temas me tocavam particularmente na minha relação com o meu próprio Feminino. Sempre senti esta dualidade dentro de mim – Masculino e Feminino – e uma necessidade de olhar o meu feminino.

Quando comecei a fazer a formação, os temas semanais foram-se tornando importantes para as questões dos casos que estava a acompanhar e também para trazer à consciência, para dar uma nova luz aos meus próprios temas. Pensava, a um nível racional, que seria o resgate para as outras mulheres e afinal descobri que foi principalmente o resgate da minha mulher interna.

.
Que partes de ti, enquanto Mulher, descobriste ou revisitaste com mais clareza durante a formação?

Temas como os mitos e a Jornada da Heroína tocaram-me tão profundamente que ainda agora me sinto a processar internamente; estão a ajudar-me a perceber de que forma o meu patriarca interno estava definitivamente instalado em mim.
Este espaço de formação trouxe-me a capacidade de reconstrução; alguns dos pilares nos quais assentei muitas das minhas formas de estar na vida abanaram imenso e aos poucos tenho vindo a conseguir retirar o que já não quero sem que a “casa” venha abaixo. Por exemplo, o mito da “Supermulher” – a que consegue chegar a tudo – é algo a que tenho vindo a dar atenção porque, conhecendo-me como me conheço, sei que oscilo entre aquela que se esgota e aquela que fica passiva e não funcional para não se esgotar.

.
O que sentes que o Círculo traz para as mulheres que o integram?

Para mim tem sido sobretudo o reconhecimento e a ressonância. Este apaziguar das minhas muitas partes tem-me permitido dar um salto em termos de aceitação e integração do que existe em mim.

.
De que formas sentes que esta formação se incorporou no teu trabalho e percurso enquanto Terapeuta Transpessoal?
Em muitas situações, sinto uma necessidade muito menor de falar, de racionalizar, de terapeutizar… é como se tivesse feito um resgate da minha presença tão somente enquanto presença sanadora, falando e fazendo menos.
Quando escuto realmente, deixo de sentir a necessidade de salvar, de resolver ou de proteger o outro e, atualmente, sinto que consigo criar um outro espaço em termos terapêuticos.

MARGARIDA MONARCA
TUTORA “FACILITADORA CIRCULOS MULHERES” – ESCOLA DE DESENVOLVIMENTO TRANSPESSOAL