COM.UNIDADE EDT – Entrevistas a Alunos

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Entrevista ao aluno da formação em Mindfulness – José Agostinho Santos – pela tutora Cátia Pinto

Querido José, começando exatamente pelo princípio… Quais foram as motivações   que te trouxeram até à Escola de Desenvolvimento Transpessoal e qual foi o apelo  ou chamamento que tu sentiste para esta formação de Mindfulness em particular?

Eu encontrei a escola precisamente porque tinha esse apelo, esse chamamento… Para algo que me completasse enquanto ser humano e que eu sentia que era necessário enquanto desempenho da minha atividade profissional. Ou seja, eu sentia que ao longo do meu dia-a-dia tinha muitos encontros com seres humanos e que, efetivamente, esses encontros eram em torno da saúde mas que muitas vezes só podiam ultrapassar a medicina. Ou seja, era impossível aproveitar todo o potencial destes encontros – que são as consultas – se eu me cingisse apenas à medicina. Porque com esta abordagem, enfim, do ser humano enquanto um ser global – e mesmo que nos centrássemos apenas na sua saúde -, eu centrar-me apenas na medicina ou na minha formação profissional seria, a meu ver, não prestar um serviço ao próximo de uma forma que eu, se calhar, poderia fazer com algo mais. E foi por causa disso que eu pensei, refleti um pouco sobre o que poderia fazer… Como poderia eu ajudar a retirar deste encontro algo que fosse muito produtivo para aquela pessoa que me procurava enquanto médico mas que, no fundo – e eu sentia – me procurava sobretudo como um ser humano? Então, nesta minha reflexão, uma das coisas ou áreas em que eu pensei foi o mindfulness porque já tinha ouvido falar anteriormente e em diferentes situações. E pensei que o mindfulness me poderia ajudar precisamente por causa disto. Porque, de certa forma, me permitiria abrir a consciência sobre a forma como eu era humano e, portanto, de certa forma, também me permitiria estar mais aberto para receber um pouco a humanidade do outro. E então achei que seria por aí… E foi dessa pesquisa, alguma na internet sobre o mindfulness, que encontrei a escola. Depois, o programa curricular agradou-me imenso e foi dessa forma que fui ter à escola. E o chamamento ou apelo veio muito por este contacto diário com as pessoas, com os seres humanos.

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Já nos revelaste que és um profissional da área de saúde, mais concretamente médico. Eu ia pegar exatamente nisso… Agora, após esta formação, como é que tu sentes que o mindfulness te veio ajudar nesse acompanhamento aos outros?

De diferentes formas… Enquanto ser humano que desempenha a sua atividade profissional como médico, ou melhor, enquanto papel de médico, de facto isso permitiu-me ter consciência de um conjunto de situações que, até então, eu não estava tão consciente. Relações de trabalho, relações de gabinete médico-paciente, relações com a tutela… Enfim, toda uma ampla gama de comunicações que um médico estabelece com diferentes vertentes, em reuniões de trabalho, outros compromissos profissionais, com pacientes, com os membros da gestão e da administração… Portanto, há aqui todo um fator comunicacional, e o tom do fator comunicacional tornou-se muito evidente para mim com o mindfulness. E isso permitiu-me, por diversas situações, abordar determinadas questões de uma forma por vezes muito mais ativa e, por outras vezes, de uma forma muito mais passiva.
Enquanto médico ou clínico, por assim dizer, ou seja, já no campo da relação médico-paciente, o mindfulness também me trouxe temáticas muito semelhantes. Também me trouxe, muitas vezes, algum desprendimento de questões que seriam muito relativas a formas arcaicas que eu teria – e que ainda tenho – de pensar e que, de facto, se calhar, provavelmente não teriam a ver com a situação da relação nem do paciente em si. E, portanto, houve aqui um conjunto de situações de que me tornei consciente ou que me dei conta, e que foram momentos que criaram momentos de desapego… Foram momentos importantes. E também me permitiu suster, de alguma forma, muitos processos de tomada de consciência dos pacientes com as questões que me traziam. Portanto, acho que a formação também me permitiu ser aquele acompanhante de alma em muitos momentos da consulta – aqueles acompanhantes de alma de que tanto falamos por diversas situações… Portanto, acho que respondendo à tua questão, eu divido um bocadinho aqui as questões em “eu enquanto funcionário de uma instituição”, mas também “eu enquanto clínico”. Acho que o mindfulness me ajudou muito nessas duas vertentes do meu dia a dia. Pronto… Depois nos campos pessoais, ou seja, fora do campo profissional, também teve um impacto muito positivo no meu dia-a-dia.

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Aproveitando essa tua deixa, de que forma é que sentiste esse impacto a nível  pessoal? Não sei se será ou não o caso, mas sentes que há um “José antes” e um        “José depois” desta formação e da integração do mindfulness?

 

Sim, há. A nível pessoal, ou seja, fora do campo profissional… Na verdade não é assim muito diferente. Porque os amigos e familiares são pessoas como quaisquer outras pessoas que entram no meu gabinete e, portanto… É um pouco complexo dividir assim desta forma mas pegando, por exemplo, no caso dos familiares e dos amigos. Há um José diferente… ou não diria que é diferente, há um José que entretanto segue o seu caminho e que, desta vez, está a fazer o seu caminho e está a tomar consciência do seu caminho. E isso, por sua vez, faz com que eu, ao tomar consciência, mude um bocadinho de rumo. Mas também não acredito que houvesse um José dantes porque sempre estive em mudança. Acho que sempre estive em mudança mas, se pudesse fazer um apanhado mais global, acho que há aqui questões relativamente às amizades que, de facto, o mindfulness me permitiu tomar decisões de uma forma sem culpabilidade.
Ou seja, há formas de pensar que eu tenho que são facilmente reproduzíveis e há sentimentos de alguma culpabilidade por vezes por não poder estar disponível. E eu tomei consciência disso. E a partir do momento em que eu tomo consciência disso também entendo o ponto de comunicação. Por vezes, existem algumas relações de amizade que são orientadas, por exemplo, para esse ponto de culpabilidade e efetivamente acabam por reproduzir reações de uma pessoa que se move por culpabilidade. Ora, ao tomar consciência disto mesmo eu também tomo consciência que posso não seguir esse circuito para o qual a minha mente já estava tão treinada e que existem formas alternativas. E aprendi, de facto, a não me sentir culpado em muitas situações. Porquê? Porque existe sempre uma alternativa, ou seja, o mindfulness permitiu-me vislumbrar potencialidades e inúmeras alternativas perante as situações e a não me mover, por exemplo, por alguma culpabilidade. Também me permitiu perceber ou entender a intenção, a intenção com que me movo. E permitiu-me perceber que isso provavelmente será o mais importante de tudo, a intenção com que se faz algo. E não tudo o que vem a seguir, ou seja, a ação em si, o resultado em si. Também me permitiu, em muitas situações, suster o caminho do outro em busca da sua própria intenção. Eu acho que se pudesse destacar a nível do campo pessoal aquilo que o mindfulness mais me trouxe foi o vislumbrar das intenções que estão no início da atitude e depois no comportamento, na ação e resultado. É estar bem na raiz de uma série de eventos que, entretanto, acontecem e que são bem mais visíveis.

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O que realmente significa para ti ser mindful? O que consideras ser o equipamento indispensável para levar numa bagagem mindfulness?

Para mim, é estar neste estado de absoluta vigilância ou de observação. De facto, de tudo o que acontece em nós, sobretudo desta voz interna. É desta forma até que eu explico a muitos pacientes o que é estar mindful. É isto… E para mim é a forma mais simples que eu arranjo de explicar. E no fundo, no fundo, é aquilo em que eu mais acredito. É o estado de escuta plena ao que esta voz interna nos diz, sem querer dizer que se vai seguir esta voz. Apenas escutar de forma atenta a voz interna, ponto. E eu acho que é isso que para mim mais define o mindful, o estar mindful. Poderíamos arranjar outras formas de o dizer… Mas penso que, se eu conseguisse estar mindful – não consigo estar sempre assim – em todos os segundos dos meus dias em que estou acordado, e se todos os seres humanos conseguissem fazê-lo, teríamos uma comunicação… Provavelmente, não haveria tantos problemas no dia a dia. Conseguir-se-iam resolver muitas questões, muitos problemas deixariam de existir. Portanto, para mim, é isso… definir o “estar mindful” seria assim dessa forma.

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[Eu não resisto a colocar esta última questão e a lançar-te este desafio porque ainda tenho bem presente o teu trabalho final e as imagens com que nos foste brindando ao longo do mesmo.] Se eu pedisse para visualizares uma imagem ilustrativa do mindfulness e daquilo que ele representa para ti, que imagem seria essa?

[risos] Bem, essa tu já sabes devido ao meu trabalho… Eu nunca mais perdi a imagem do farol, ficará para sempre como a imagem mais ilustrativa por aquilo que me transmite. O farol está num ponto estratégico entre terra e mar. E quando é noite ele roda e a luz é projetada e alcança tudo da mesma forma, independentemente de estar orientada para o mar agitado ou para a terra calma. O que é certo é que o farol ilumina tudo de igual forma, independentemente de estarem ondas de 10 metros ou ondas de 2 metros, independentemente do mar estar muito agitado e da terra estar completamente serena. Digamos que é um receber por inteiro aquilo que o rodeia iluminando tudo de igual forma e, por isso mesmo, representa o mindfulness. É este estado de absoluta observação e abertura do que acontece, independentemente do que acontece e porquê acontece. Porque o farol não ilumina apenas o mar agitado enquanto faz a sua função, ou não desvia a sua luz porque o mar está mais agitado ou porque o mar está mais sereno. Portanto, representa este estado de total abertura para o que vier no feixe da luz e é um pouco por isso que eu acho que representa bem o que é o mindfulness. Este estado de observação plena.
No entanto, há uma outra imagem que entretanto também surge na minha mente e que se prende com uma imagem particular – um objeto de decoração – de uma estatueta de Buda que, de alguma forma – não sei porquê – comunica comigo de uma forma tão especial. Há qualquer coisa naquela estatueta que me transmite uma presença… Os olhos estão desenhados de uma forma que revelam presença ao momento concreto e que, de facto, para mim também representa muito bem o que é – ou o que será – o mindfulness. Ou seja, é aquele estado de absoluta não inquietude – não gosto de dizer serenidade -, em observação plena ao que acontece. E essa imagem transmite-me precisamente isso mesmo, ou seja, quando eu observo essa estatueta, efetivamente, naquele momento, eu consigo estar ali. Sem nada mais, em pura observação. A verdade é que fico completamente no momento, no agora. Todos os pensamentos que poderia trazer antes de ver aquela imagem, por momentos, desaparecem. E é uma imagem que me transmite sempre um profundo momento meditativo. Se calhar, para mim, se eu pudesse ilustrar seriam essas as duas imagens que eu escolheria.

 

 

 

CÁTIA PINTO
TUTORA DE “CONSULTORIA MINDFULNESS” – EDT
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Entrevista ao aluno da formação de “Consultor Mindfulness” – Rodrigo Fragoso – pela tutora Mónica Ferreira

Gostaria de começar por perguntar qual o motivo que te trouxe até ao curso de Consultor de Mindfulness?

O interesse pelo Curso surgiu por querer aprofundar o meu conhecimento sobre a prática do Mindfulness. Sou praticante de meditação há vários anos, e percebi que a leitura da mais diversa bibliografia que se encontra nas livrarias sobre o Mindfulness não aprofundava a temática na sua globalidade como eu desejava. Quando vi o programa do Curso de Consultor Mindfulness, e percebi a abrangência de áreas que iria desenvolver e trabalhar, não tive dúvidas sobre ser este o trabalho de investigação que eu procurava sobre o Mindfulness.

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Trabalhas como Psicólogo Educacional num agrupamento de escolas, sentes que esta formação é uma mais valia para o trabalho nesta área? Qual te parece ser o grande contributo desta formação na tua área de trabalho?

Este curso foi extraordinariamente importante para mim, quer em termos pessoais, quer individuais. No que respeita à minha profissão como Psicólogo, está a ser uma grande mais valia, pois permite-me colocar as aprendizagens em prática no meu dia-a-dia profissional, quer a nível pessoal, na forma como faço a gestão do meu tempo, das emoções e relações com o outro, quer a nível profissional, realizando formação e ensino de técnicas Mindfulness às crianças, jovens e adultos com quem trabalho diariamente. Sinto que a nível profissional, o Mindfulness, é cada vez mais, uma área procurada por muitas pessoas que sentem necessidade de tornar a sua vida e o seu dia-a-dia mais consciente e mais presente, podendo assim proporcionar ao outro uma muito melhor qualidade de vida e, neste sentido, é um Curso com uma grande aplicabilidade profissional.

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Como é que a utilizas enquanto ferramenta de trabalho? (alunos e professores)

Como disse anteriormente, a realização deste Curso proporcionou-me um conjunto de saberes e experiências que partilho diretamente com as pessoas com quem trabalho. Por exemplo, com as turmas dos diferentes ciclos de ensino, tenho desenvolvido programas de Mindfulness que visam potenciar a atenção e concentração em sala de aula, bem como a relação interpessoal entre colegas e entre alunos e adultos, envolvendo sempre que possível os pais dos alunos.
Para professores, já realizei várias ações de formação, que consegui que fossem reconhecidas pelo Centro de Formação. São trabalhadas estratégias de gestão do stress, redução da ansiedade e, principalmente, um novo olhar sobre a profissão de professor, podendo estes ter uma muito melhor gratificação pessoal no seu dia-a-dia profissional.
Da avaliação realizada às sessões realizadas, quer com alunos, quer com professores, o feedback recebido, bem como as avaliações individuais, são extraordinariamente positivas, factor este que considero uma responsabilidade para mim enquanto Consultor Mindfulness, pois as solicitações para o desenvolvimento destes programas são cada vez mais.

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Sentes que o teu dia-a-dia se transformou depois desta formação? Se sim, que mudanças notaste?

Sim, mudou de forma bastante significativa, eu até costumo dizer, meio a brincar, mas muito a sério, que desde que pratico o Mindfulness os meus dias tornaram-se maiores. Isto é, o facto de estar mais presente e consciente, quer nas ações e tarefas que realizo, quer pela observação dos estados mentais e a sua flutuação, torna possível um grau de consciência e atenção plena que é uma ferramenta extraordinária para a minha satisfação de viver. Mesmo nos erros, dificuldades ou contraditórios, individuais ou com o outro, a possibilidade de aprendizagem com estas situações, é notoriamente mais elevada.

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Quem é O Rodrigo Fragoso depois de fazer a formação? E qual foi a tua maior descoberta? Dentro e fora (de ti)?

Pois bem, o Rodrigo é um novo Rodrigo, e quando observo os comportamentos que tinha anteriormente, dou-me conta da transformação que se deu em mim.
Durante a realização do Curso, através das leituras, do que fui convidado a escrever e a investigar, as questões colocadas e as Tutorias realizadas permitiram-me desenvolver capacidades que eu não reconhecia em mim. Quando, às vezes, pensava que gostava de poder realizar um projeto ou ter a capacidade de comunicar, e que isso era impossível, pois eu não tinha essa capacidade, hoje já não estou nesse lugar.
Este Rodrigo é uma pessoa com um grau de confiança e desejo de realizar, acompanhado pelo sonho e por acreditar, continuando a cometer erros, a aprender com eles.
Acima de tudo, o prazer de viver a vida de forma mais presente, partilhando sentimentos, medos e desejos, confiando e reconhecendo muito mais do que há em mim.
Acreditar e permitir-me a ser, ser e ter prazer de viver, com tudo o que a vida é.

 

 

 

MÓNICA FERREIRA
TUTORA DE “CONSULTORIA MINDFULNESS” – EDT
Propósito de Vida

Propósito de Vida

“Vivemos sempre os nossos valores. A grande descoberta é encontrá-los exatamente no lugar onde estamos. Agradecer por eles. E, num trabalho de aprofundamento interno e ação, criar a forma através dos quais os podemos expressar melhor. ” 


 

Atualmente vejo imensas pessoas em busca do seu propósito de vida e não deixo de refletir sobre isso e de me questionar… Afinal, todos nós vivemos o nosso propósito de vida, ainda que não tenhamos consciência disso.


Propósito de vida”, “missão de vida”, ou mesmo, “sentido de vida” são conceitos referentes à mesma coisa e que (re)nasceram na corrente da psicologia positiva, associados ao conceito de felicidade – “Se as pessoas viverem o seu propósito de vida são pessoas mais felizes.


Contudo, hoje em dia, deparamos com duas grandes questões que impedem muitas pessoas de verem que já estão a viver o seu propósito de vida:
1) Uma delas é considerarem que só são felizes se tiverem um excelente relacionamento, se tiverem um trabalho maravilhoso sem qualquer problema, se…. E os “se” continuam, ou seja, as associam a felicidade a algo que está fora e a áreas de vida;
2) A outra é que muitas vezes associam o propósito de vida à área do trabalho e da carreira, como se o propósito de vida só se pudesse viver aqui ou que dependesse desta área de vida.
Talvez seja importante pararmos e perguntarmo-nos: “O que é que me faz feliz?” ou “Como posso ser mais feliz?”.


Vitor Frankl, médico psiquiatra austríaco, fundador da Logoterapia, uma psicoterapia que que explora o sentido existencial do individuo e a dimensão espiritual da existência, relata a sua experiência nos campos de concentração, na obra “Um homem em busca de um sentido”. Durante esta sua vivência, ele observou que as pessoas que tinham um propósito eram as que sobreviviam, ou seja, as pessoas que davam um significado à sua experiência aceitavam e lidavam melhor com o que a Vida lhes trazia em cada momento.


Então, para sermos mais felizes é importante resignificar as nossas vivências/experiências? Sim e não. Não, porque pode não ser apenas e o suficiente. Sim, porque quando damos significado, sentimo-nos vivos, com um sentido, com uma missão de vida. E isto pode ser a diferença entre “sobreviver” (ser vitima) e “viver” (ser protagonista/responsável) em cada momento da nossa vida.


E se podemos ser o protagonista da nossa vida e dar um propósito à tua vida, a pergunta é, qual ou quais os valores que queremos viver nesta vida? Qual o valor que queremos que fique marcado na nossa pessoa, nesta vida?


Quando colocamos esta questão, estamos a referir-nos ao Propósito Interno, que vai variar consoante os valores de cada pessoa. Contudo, a questão é que muitas vezes pensamos que não estamos a viver os nossos valores e por isso não somos felizes.


John Demartini, especialista em comportamento humano e desenvolvimento pessoal, vem dizer-nos que não podemos não viver os nossos próprios valores, isso é apenas uma mentira que contamos a nós mesmos. Podemos é não estar a viver os nossos valores de acordo com as nossas expectativas, com aquilo que achamos que deve ser e não é. Por exemplo, imaginemos que um dos meus valores era a “Comunicação” e, na minha expetativa, para viver este valor devia estar a fazer palestras e a escrever para um blog, mas na verdade estou a trabalhar num serviço de atendimento ao público. A verdade é que eu vivo o valor da Comunicação, fazendo o que faço agora.


Ou, para um valor de “Amor (ao outro)”, eu considero que, para manifestar este valor deveria acompanhar pessoas em terapia, mas sou cozinheira. Como cozinheira, não viverei o valor do “Amor”?


É contexto para se dizer que as expectativas “estragam tudo”. Porém, não se vive sem expetativas, apenas podemos estar mais atentos a elas. E começar a pensar: o que quero priorizar na minha vida? Onde quero colocar o foco da minha vida? De que forma quero viver a minha vida? Como quero vivenciar os meus valores?


Quando passamos ao “como”, entramos no reino do Propósito Externo.


É preciso olharmos para este percurso com atenção, pois, tantas vezes nos esgotamos a lutar por um Propósito Externo, por essa Missão, esquecendo-nos do Propósito Interno, dos valores que nos guiam intimamente e que – esses sim! – dão verdadeiro sentido ao Caminho.


Quanto mais conectado estiver o nosso Propósito Interno ao nosso Propósito Externo, mais feliz nos sentiremos, com maior sentido na vida.


Então, quando se trabalha a nível de Propósito, a proposta será sempre – e por esta ordem – perguntarmo-nos:
– Quais são os meus valores?
– Como os posso pô-los em prática (vivê-los) na minha vida?


Vivemos sempre os nossos valores. A grande descoberta é encontrá-los exatamente no lugar onde estamos. Agradecer por eles. E, num trabalho de aprofundamento interno e ação, criar a forma através dos quais os podemos expressar melhor.

 

 

SÍLVIA DIAS
TUTORA DE “TERAPIA TRANSPESSOAL” DA EDT
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Entrevista ao aluno da formação de “Terapia Transpessoal” – Fábio Silva – pela tutora Mónica Ferreira

Fábio, estás a poucos meses de terminar a tua formação como psiquiatra, tendo já experiência de acompanhamento terapêutico.
O que é que te motivou para a escolha desta profissão? E agora, o que te inspira a continuar?

Em relação ao que me motivou a seguir psiquiatria, é uma pergunta difícil, mas vêem-me à cabeça duas resposta, dois motivos.
A primeira resposta é que, e eu não sei porquê, mas desde muito novo que tenho interesse em perceber o que é a mente humana, como funciona, e por navegar nos recantos da mente humana.
Eu lembro-me de estar no 5.º, 6.º ano, e de todos os livros que os meus pais tinham em casa, eu ia sempre para aquela secção da psicologia e dos livros que falavam do inconsciente e de coisas assim…
Desde muito cedo que me interessava essa temática da psicologia e da mente humana, e o que é que é afinal esta coisa de sermos humanos.
E isso permaneceu em boa parte da adolescência.
Assim, quando chegou a hora, lá pelo 9.º ano, de começar a decidir à área de estudo, surgiu a psicologia.
Mas depois acabei por seguir para ciências e escolher medicina – mas escolhi medicina já com a ideia de seguir psiquiatria.
Outro motivo, e este é capaz de ser mais delicado de partilhar, mas foi também o conhecimento pessoal – aliás, há aquela piada de que quem escolhe psiquiatria, ou psicologia, ou psicoterapia é porque já é um pouco “avariado da cabeça” – e se esta questão é posta de uma forma um bocadinho ridicularizada e até preconceituosa, a verdade é que não surge do nada.
Eu acho que este preconceito, vamos chamá-lo assim, de que as pessoas escolhem psiquiatria, psicologia, psicoterapia ou terapia, porque vão à procura de se conhecer e, até, de se curarem, é verdade – isto é, eu falando por mim, acho que isso é verdade.
Eu fui à procura sobretudo de autoconhecimento mas, também, de cura – porque mesmo durante a faculdade tive problemas de ansiedade e de depressão.
Esta é a resposta mais genuína que surge. Não é aquela, que também surge e também é verdadeira, de que foi para ajudar os outros, para salvar. Mas o autoconhecimento foi o que verdadeiramente me motivou – e eu acho que é importante também reconhecer isso.
Até porque como é que nós podemos conhecer o outro se não nos conhecemos a nós próprios, e como é que nos vamos conhecer a nós próprios se não conhecemos o outro? -porque somos todos feitos da mesma substância.
No fundo as nossas questões são semelhantes – as questões com os pais, as questões com as inseguranças, com sermos cada vez mais nós mesmos – são questões transversais a todos nós.
Agora, inspira-me acompanhar o outro, até porque, é muito interessante verificar que, no fundo, as questões nucleares de todos nós são meia dúzia, mas as suas manifestações são tão diferentes de pessoa para pessoa – as histórias de vida, a maneira como se manifestam os nossos conflitos, as nossas preocupações, são tão diferentes.
Acompanhar o outro é uma curiosidade que nunca cessa, é ter contacto com esta diversidade – somos todos unidos por meia dúzia de coisas em comum, mas as histórias são tão diferentes; é tão interessante ver a forma como as pessoas vivem os seus conflitos, como os comunicam, como os explicam, como os resolvem ou como os aceitam.
Acompanhar o outro é sempre uma descoberta, desta diversidade que é ao mesmo tempo uma unidade.

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O que procuraste na Terapia Transpessoal? O que encontraste?

O meu caminho no Transpessoal segue muito do que foi o meu caminho na psiquiatria. Começou, sobretudo, pela necessidade de encontrar algumas respostas a nível pessoal, ou seja, de me conhecer a mim próprio – e só depois de eu ter sentido que consegui mergulhar nesse processo de me conhecer a mim próprio é que a terapia transpessoal me fez sentido como ferramenta para utilizar com outras pessoas.
O primeiro ano da formação foi o ano para me autoconhecer e fazer terapia a mim mesmo, e depois de um interregno de 3 anos, iniciei o segundo ano.
O que é que a terapia transpessoal me dá agora?
Para além de autoconhecimento, eu gostaria de integrar a filosofia da terapia transpessoal e algumas práticas da terapia transpessoal na psiquiatria no futuro.
Não é muito fácil da forma como a psiquiatria funciona agora, no nosso sistema nacional de saúde, em que os tempos de consulta são muito curtos, em que a intervenção está sempre muito focada na redução dos sintomas… neste momento é difícil, mas eu acho que estamos num ponto de viragem, em que é possível expectar que as coisas mudem.
A psiquiatria está num momento muito, muito entusiasmante, em que regressa à psiquiatria uma coisa que se perdeu nos anos 60 e nos anos 70 que foi o uso dos estados ampliados de consciência como uma ferramenta terapêutica.
Todas aquelas experiências que são bem conhecidas para a terapia transpessoal, aqui na Escola com a Respiração Holoscópica – experiências cume, experiências de união – isso está a voltar para a psiquiatria, como ferramenta terapêutica.
Curiosamente está a voltar através de uma abordagem muito farmacológica; isto é, utilizando substâncias conhecidas como substâncias de poder – a psilocibina dos cogumelos mágicos, o DMT da Ayahuasca – com um objectivo terapêutico.
Mas, no futuro, porque não técnicas sem substâncias? Porque não a Respiração Holoscópica? Porque onde esta ferramenta nos leva é muito semelhante.
Neste momento a psiquiatria precisa de ter uma coisa concreta – uma molécula, uma substância, está a recomeçar por aí, mas eu acredito que daqui a uns anos pode chegar a um ponto em que, porque não, integrar uma respiração holoscópica?
E quando chegar esse momento espero que aja um diálogo muito maior entre campos que são aparentemente distintos, mas eu sublinharia aparentemente – campos mais convencionais e campos menos convencionais (como a terapia transpessoal). Esse diálogo já começa a existir, mas eu acredito que novas pontes sejam criadas.

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Enquanto psiquiatra, em que medida sentes ser importante a vivência da dimensão espiritual?

Primeiro ponto, algumas experiências psicopatológicas que o psiquiatra vê todos os dias, para poder diagnosticá-las como patológicas implica que conheça o que não é patológico. Esta é uma distinção que nos é útil – o que é patológico e o que não é patológico – mas precisamos de saber o que é normal/não patológico.
Por exemplo, na doença bipolar, que é uma doença que ao longo do tempo cruza episódios da vida em que a pessoa está deprimida e episódios da vida em que a pessoa está em estados de euforia – nestes estados de euforia, é muito comum a pessoa ter uma auto-estima muito grande, uma grandiosidade, e ter delírios religiosos, místicos, achar que é um messias, ou que é Deus, ou que tem uma missão especial e vai salvar o mundo. E para nós percebermos porque é que esta experiência é uma experiência má para a pessoa, precisamos de perceber o que é uma experiência religiosa genuína e que é boa para a pessoa. Nestes casos patológicos, por exemplo, o ego é insuflado, e não transcendido – eu sou Deus, mas eu sou o único Deus! E não, eu transcendo a minha dualidade para passar a fazer parte de uma coisa maior que eu, que é Deus. Mas o psiquiatra necessita de saber o que é uma experiência religiosa, ou mística, autêntica, para poder fazer um diagnóstico correcto.
Segundo ponto, pessoas que estão mais conectadas com a dimensão espiritual adoecem menos. Isto está estudado, estas têm menos depressões, menos ansiedade, e quando adoecem conseguem recuperar melhor.
Curiosamente, nós sabemos isto, mas pelo menos que eu conheça, não existe nenhuma intervenção que use a espiritualidade para curar, como uma forma de intervenção. Quer dizer, agora começa a ressurgir…
E isto leva-me ao terceiro ponto… com o interesse da psiquiatria nos estados modificados de consciência e do uso de algum tipo de substâncias, eu acho que é cada vez mais importante os psiquiatras estarem à vontade nesta questão da espiritualidade e neste tipo de experiências – em que os terapeutas transpessoais estão bem por dentro.
Uma das questões que se discutia muito num congresso em que eu estive há um tempo, um congresso de cientistas, académicos e terapeutas não convencionais, era o que é que fazia com que uma experiência de um estado ampliado de consciência fosse curativa? O que é que acontece para que aquela vivência mude a pessoa? E o que se acredita, ou o que parece que a experiência mostra, é que as pessoas que têm nestas experiências uma experiência de união – morte do ego, transcendência e união com o todo – estas pessoas são as que têm mais probabilidade de curar os seus problemas – adições, depressão, ansiedade, ansiedade em pessoas que estão com diagnósticos terminais – que é algo de que se fala na terapia transpessoal, isto é, no fundo o que está na base de todo o sofrimento é esta desconexão com aquilo que é maior que nós, é acreditar que somos individuais e que estamos sozinhos, desconectados do todo. E o que estas experiências dão a estas pessoas é esta reconexão.
É um caminho. Há muitos outros, mas é um caminho. A meditação faz a mesma coisa… mas dá mais trabalho… 🙂

 

MÓNICA FERREIRA
TUTORA DE “TERAPIA TRANSPESSOAL” – EDT
Narrativas Transpessoais

Narrativas Transpessoais

“A vida de uma pessoa não é o que aconteceu, mas o que ela recorda e como recorda.” 

Gabriel García Marquez


 

A vida de cada um de nós está repleta de memórias, estórias para contar, algumas felizes, outras profundamente dolorosas. A felicidade, a forma como lidamos com o que surge a cada esquina depende do peso que damos a cada uma dessas estórias e à forma como nos vemos nesse enredo.

Como contaríamos a nossa estória, se tal nos fosse pedido? Alguns escreveriam livros, colocando-se no centro da ação, verdadeiros heróis cheios de garra. Outros, escreveriam um ou dois parágrafos sintéticos. Outros, ainda, escreveriam uma crónica de fazer chorar as pedras da calçada, onde a dor, a maldade e a sensação de esmagamento estavam sempre presentes. Interessante seria pensar que a primeira situação e a última teriam vivências muito semelhantes, perdas, problemas a resolver, acontecimentos dolorosos. Não existem heróis ou vítimas se não existirem situações que os construam. Apenas a narrativa seria diferente. Alguns ver-se-iam como heróis. E outros como vítimas.

Não é difícil perceber que a “verdade” varia em função de cada um e do valor que damos às situações. Numa discussão, cada pessoa contará a sua verdade e, dentro daquilo que é o seu cenário interno, terá a razão do seu lado. E, se surgir um observador, aparentemente neutro, provavelmente verá a razão e a verdade no que estiver mais de acordo com os seus próprios valores internos. Em última instância, não somos maus ou bons. Temos diferentes valores e diferentes verdades. E somos mais ou menos felizes de acordo com a estória que criamos dentro, que habita os nossos pensamentos e anseios e, sobretudo, que contamos aos outros e a nós mesmos.

Somos infelizes devido às mentiras que contamos a nós próprios.

Hoje em dia sabemos que a nossa atenção, assim como a memória, tem “filtros” para o que recebe como vivência ou experiência. Esses “filtros” são criados a partir de experiências da infância, do que nos ensinaram em crianças e das crenças que possuímos sobre nós e o mundo. Cada experiência que vivemos não é recebida como nova, ela é “encaixada” naquilo que já acreditamos conhecer sobre a vida. Quando eu acredito que o mundo não é de confiança, vou encontrar mais “factos” que me mostrem isso. E vou recordar com maior facilidade todas as pessoas desonestas que conheci, as vezes em que fui enganada e também aquelas em que “quase” fui enganada. Esta última classe, na maioria das vezes, aconteceu somente na estória interna que vivi. Qualquer pessoa menos simpática ou cujo comportamento se enquadre no que acredito ser alguém desonesto vai entrar para as personagens desonestas da minha estória.

“Afastei-me dele porque era desonesto.” E tenho mais uma narrativa moldada pela minha realidade interna, ainda que nada tenha efetivamente acontecido. Conto a minha estória em função daquilo que acredito ser a vida.

Grande parte das pessoas que procura ajuda terapêutica chega enredada numa estória pessoal, onde não há diferença entre ela e os problemas que vive. As suas vivências foram moldadas pelas crenças e, ao ser relatadas, transformam-se nas narrativas que deram forma à sua vida e relações.

É preciso tempo para que a pessoa comece a ver o problema como algo diferente de si própria. Para que encontre qualidades e recursos que não se tinha dado conta que possuía. Para que aprenda a estabelecer uma relação saudável com o problema. E, se tudo correr como o esperado, para que mude a narrativa e encontre um significado diferente na sua vivência.

As terapias narrativas surgiram no anos 80, no âmbito das terapias sistémicas, e dizem-nos precisamente isso. Que as pessoas contam as suas estórias em função das suas crenças, cultura, circunstâncias e do problema que as envolve. Que a pessoa não é o problema. O problema é o problema e quando nos aprendemos a conhecer como alguém distinto desse mesmo problema, com recursos distintos, e que já superou outras questões anteriormente, recontamos a nossa estória e estamos prontos para andar para a frente.

Hoje em dia, cada vez mais desenvolvida no âmbito da psicologia, alguns fundamentos da terapia narrativa são também utilizados na terapia transpessoal.
“Sempre me disseram que eu era a inteligente da família e a minha irmã era a bonita.” Quando alguém cresce com uma narrativa destas, o mais provável é que molde as suas memórias e vivências para as notas que teve na escola, a forma como se formou num curso superior, os livros que leu ou o sucesso profissional que venha a ter. A narrativa interna transforma-se na sua verdade, porque nunca valorizou a roupa, a aparência exterior, festas ou o seu corpo. Ela e a sua “falta de beleza” são a mesma coisa.

O terapeuta teria como função, através de perguntas e propostas, ajudá-la a encontrar a “estória alternativa”. Quem lhe disse que ela era bonita? Em que situações escolheu não se vestir melhor, não se pintar, não cuidar do seu corpo? Quantas vezes a sua irmã vai ao ginásio ou ao cabeleireiro? Se não o fizesse como seria a sua beleza?
Ou podíamos ir mais longe. Com que personagem das estórias infantis a nossa paciente se identificava? Que estória é parecida com a sua? Qual o final desta estória, qual a moral da mesma?
Imaginemos o patinho feio…. Que não era feio, somente se comparava com algo que não era! O que é tornar-se um cisne?
Podíamos pedir-lhe também que nos contasse a sua estória, em versão de contos de fadas. Como se veria, nesta versão? A princesa, uma fada, uma guerreira? E o problema, essa falta de beleza, que personagem seria?
Quais os recursos de uma guerreira, de uma princesa? Quais os seus dons? Como pode vencer a personagem que representa o problema? Com base nisso, como recontaria ela o seu passado?

Quando damos significado ao que vivemos estamos a curar as feridas. Encontrarmos a nossa “moral da estória” ajuda-nos a seguir em frente com mais auto-estima, mais consciência, mais recursos.
Como poderemos nós recontar a nossa estória, olharmo-nos no dia-a-dia como pessoas válidas, merecedoras, que vivem ao seu melhor e no seu melhor?
Olhe para as suas circunstâncias, os “factos” da sua vida. Como poderia narrá-los de forma a viver essa vida mítica digna de um romance?
“Terminei a relação porque era insuportável e o casamento foi um fracasso.” Ou “Terminei a relação porque merecíamos viver com mais felicidade e dessa forma honrámos tudo aquilo que vivemos, sabendo quando colocar o ponto final.”
Num mesmo facto temos duas narrativas. Uma diminui-nos e torna a nossa vida destrutiva. Outra dignifica-nos e coloca-nos ao melhor das nossas circunstâncias e recursos. Qual escolheria para ser a sua?
Pode também contar a sua estória como se fosse um conto de fadas e reconhecer a personagem “mágica” dentro de si, assim como os dons dessa personagem e a forma como os aplica à sua vida. Durante muito tempo, perante uma situação desafiante, questionava-me silenciosamente “O que faria a melhor versão de ti mesma?” e isso ajudava-me a recuperar valor e honrar a minha vida e as minhas vivências.
A nossa vida é o que dela fazemos, juntamente com essa parte de mistério que nos conduz e nos coloca bênçãos e desafios. E os nossos 50% passam por dar aquilo que temos para dar, aprender a olhar-nos com dignidade, aproveitar cada instante e – definitivamente – ser felizes.
A felicidade passa, também, por olhar para trás e sorrir perante os sonhos cumpridos e os que foram postos de lado, os desafios e as celebrações, os dias de sol e as tempestades e a sensação de tudo vivido ao melhor do que sabíamos, com consciência do que escolhíamos e a responsabilidade de agarrar nas coisas com todos os recursos que nos foram dados.
Ainda vamos a tempo. De olhar o passado e ver os ”pormenores escondidos”. Os momentos em que fomos fortes. As vezes em que seguimos em frente. Quando a vida nos emocionou. Ainda vamos a tempo de ver a princesa, o rei, a guerreira, o aventureiro. Ainda vamos a tempo de dar um final feliz a cada capítulo da nossa narrativa.

 

 

ÉLIA GONÇALVES
DIRETORA CRIATIVA E DE PROJETOS DA EDT
COM.UNIDADE EDT – Entrevistas a Alunos

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Entrevista à aluna da formação de “Facilitador(a) de Constelações Familiares” – Marta Muriel – pela formadora Ana Sofia Correia

O que te levou a tirares uma formação de Facilitador de Constelações Familiares neste momento da tua vida?

Eu não me sentia propriamente pronta para esta formação. Tive uma experiência durante a minha formação em Psicoterapia Gestalt, e gostei muito, mas percebi que era uma formação forte a nível pessoal e que a nível profissional não estava pronta para estar ao serviço de outras pessoas – achava que era de um respeito máximo estar a mexer no sistema de outros…mas adorei, além de adorar a minha terapia individual que era feita com Constelações, com a minha terapeuta em Barcelona, achei o máximo. Percebi que era uma das formações que eu queria fazer e foi nesta etapa da minha vida que me senti pronta, com maturidade para estar ao serviço dos outros. A verdade é que no meu trabalho a parte sistémica dá-me muita informação para trabalhar e perceber o que se passa com as crianças.

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Porquê a Escola de Desenvolvimento Transpessoal? 

Pesquisei informação na internet, uma amiga fez alguma partilha, vi que tinha amigas que conheciam a escola e isso deu-me confiança, transmitiu-me segurança, até porque senti que ia ser muito vivencial e prático, tal como eu gosto.

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Qual o momento mais marcante para ti ao longo destes 10 meses de formação?

Acho que tudo…no início muita teoria, muita informação que percebia, mas que ainda não fazia tanto sentido. O momento em que começamos a praticar as constelações, ali foi um momento de “uff” … isto é mesmo para fazer assim, ou seja a experiência, o fazer; também houve uma constelação individual que tocou mais no coração… mas foi esse o momento.

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Quem és tu agora Marta, quem é a pessoa após esta passagem?
Eu acho que… cresci a nível pessoal, ganhei maturidade, confiança, acho que sou mais madura e que consigo perceber melhor o outro. Consigo perceber aqueles que ajudo, mas sem levar para mim, olhar o outro com respeito, com mais compaixão…
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E quem é a Marta facilitadora? O que queres levar ao Mundo com as Constelações? 

É estar ao serviço do outro, estar ao serviço do Universo, das pessoas que me chegam… E quero dar ao Mundo, sossego, compreensão, consciência, amor, liberdade… a Marta facilitadora quer estar para os outros.
Tudo isto tem a palavra Gratidão!

 

ANA SOFIA CORREIA
FORMADORA DE “CONSTELAÇÕES FAMILIARES” – EDT