COM.UNIDADE EDT – Entrevistas a Alunos

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Um espaço para partilhar e dar voz à crescente Com.Unidade EDT


Entrevista ao aluno da formação de “Terapia Transpessoal” – Fábio Silva – pela tutora Mónica Ferreira

Fábio, estás a poucos meses de terminar a tua formação como psiquiatra, tendo já experiência de acompanhamento terapêutico.
O que é que te motivou para a escolha desta profissão? E agora, o que te inspira a continuar?

Em relação ao que me motivou a seguir psiquiatria, é uma pergunta difícil, mas vêem-me à cabeça duas resposta, dois motivos.
A primeira resposta é que, e eu não sei porquê, mas desde muito novo que tenho interesse em perceber o que é a mente humana, como funciona, e por navegar nos recantos da mente humana.
Eu lembro-me de estar no 5.º, 6.º ano, e de todos os livros que os meus pais tinham em casa, eu ia sempre para aquela secção da psicologia e dos livros que falavam do inconsciente e de coisas assim…
Desde muito cedo que me interessava essa temática da psicologia e da mente humana, e o que é que é afinal esta coisa de sermos humanos.
E isso permaneceu em boa parte da adolescência.
Assim, quando chegou a hora, lá pelo 9.º ano, de começar a decidir à área de estudo, surgiu a psicologia.
Mas depois acabei por seguir para ciências e escolher medicina – mas escolhi medicina já com a ideia de seguir psiquiatria.
Outro motivo, e este é capaz de ser mais delicado de partilhar, mas foi também o conhecimento pessoal – aliás, há aquela piada de que quem escolhe psiquiatria, ou psicologia, ou psicoterapia é porque já é um pouco “avariado da cabeça” – e se esta questão é posta de uma forma um bocadinho ridicularizada e até preconceituosa, a verdade é que não surge do nada.
Eu acho que este preconceito, vamos chamá-lo assim, de que as pessoas escolhem psiquiatria, psicologia, psicoterapia ou terapia, porque vão à procura de se conhecer e, até, de se curarem, é verdade – isto é, eu falando por mim, acho que isso é verdade.
Eu fui à procura sobretudo de autoconhecimento mas, também, de cura – porque mesmo durante a faculdade tive problemas de ansiedade e de depressão.
Esta é a resposta mais genuína que surge. Não é aquela, que também surge e também é verdadeira, de que foi para ajudar os outros, para salvar. Mas o autoconhecimento foi o que verdadeiramente me motivou – e eu acho que é importante também reconhecer isso.
Até porque como é que nós podemos conhecer o outro se não nos conhecemos a nós próprios, e como é que nos vamos conhecer a nós próprios se não conhecemos o outro? -porque somos todos feitos da mesma substância.
No fundo as nossas questões são semelhantes – as questões com os pais, as questões com as inseguranças, com sermos cada vez mais nós mesmos – são questões transversais a todos nós.
Agora, inspira-me acompanhar o outro, até porque, é muito interessante verificar que, no fundo, as questões nucleares de todos nós são meia dúzia, mas as suas manifestações são tão diferentes de pessoa para pessoa – as histórias de vida, a maneira como se manifestam os nossos conflitos, as nossas preocupações, são tão diferentes.
Acompanhar o outro é uma curiosidade que nunca cessa, é ter contacto com esta diversidade – somos todos unidos por meia dúzia de coisas em comum, mas as histórias são tão diferentes; é tão interessante ver a forma como as pessoas vivem os seus conflitos, como os comunicam, como os explicam, como os resolvem ou como os aceitam.
Acompanhar o outro é sempre uma descoberta, desta diversidade que é ao mesmo tempo uma unidade.

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O que procuraste na Terapia Transpessoal? O que encontraste?

O meu caminho no Transpessoal segue muito do que foi o meu caminho na psiquiatria. Começou, sobretudo, pela necessidade de encontrar algumas respostas a nível pessoal, ou seja, de me conhecer a mim próprio – e só depois de eu ter sentido que consegui mergulhar nesse processo de me conhecer a mim próprio é que a terapia transpessoal me fez sentido como ferramenta para utilizar com outras pessoas.
O primeiro ano da formação foi o ano para me autoconhecer e fazer terapia a mim mesmo, e depois de um interregno de 3 anos, iniciei o segundo ano.
O que é que a terapia transpessoal me dá agora?
Para além de autoconhecimento, eu gostaria de integrar a filosofia da terapia transpessoal e algumas práticas da terapia transpessoal na psiquiatria no futuro.
Não é muito fácil da forma como a psiquiatria funciona agora, no nosso sistema nacional de saúde, em que os tempos de consulta são muito curtos, em que a intervenção está sempre muito focada na redução dos sintomas… neste momento é difícil, mas eu acho que estamos num ponto de viragem, em que é possível expectar que as coisas mudem.
A psiquiatria está num momento muito, muito entusiasmante, em que regressa à psiquiatria uma coisa que se perdeu nos anos 60 e nos anos 70 que foi o uso dos estados ampliados de consciência como uma ferramenta terapêutica.
Todas aquelas experiências que são bem conhecidas para a terapia transpessoal, aqui na Escola com a Respiração Holoscópica – experiências cume, experiências de união – isso está a voltar para a psiquiatria, como ferramenta terapêutica.
Curiosamente está a voltar através de uma abordagem muito farmacológica; isto é, utilizando substâncias conhecidas como substâncias de poder – a psilocibina dos cogumelos mágicos, o DMT da Ayahuasca – com um objectivo terapêutico.
Mas, no futuro, porque não técnicas sem substâncias? Porque não a Respiração Holoscópica? Porque onde esta ferramenta nos leva é muito semelhante.
Neste momento a psiquiatria precisa de ter uma coisa concreta – uma molécula, uma substância, está a recomeçar por aí, mas eu acredito que daqui a uns anos pode chegar a um ponto em que, porque não, integrar uma respiração holoscópica?
E quando chegar esse momento espero que aja um diálogo muito maior entre campos que são aparentemente distintos, mas eu sublinharia aparentemente – campos mais convencionais e campos menos convencionais (como a terapia transpessoal). Esse diálogo já começa a existir, mas eu acredito que novas pontes sejam criadas.

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Enquanto psiquiatra, em que medida sentes ser importante a vivência da dimensão espiritual?

Primeiro ponto, algumas experiências psicopatológicas que o psiquiatra vê todos os dias, para poder diagnosticá-las como patológicas implica que conheça o que não é patológico. Esta é uma distinção que nos é útil – o que é patológico e o que não é patológico – mas precisamos de saber o que é normal/não patológico.
Por exemplo, na doença bipolar, que é uma doença que ao longo do tempo cruza episódios da vida em que a pessoa está deprimida e episódios da vida em que a pessoa está em estados de euforia – nestes estados de euforia, é muito comum a pessoa ter uma auto-estima muito grande, uma grandiosidade, e ter delírios religiosos, místicos, achar que é um messias, ou que é Deus, ou que tem uma missão especial e vai salvar o mundo. E para nós percebermos porque é que esta experiência é uma experiência má para a pessoa, precisamos de perceber o que é uma experiência religiosa genuína e que é boa para a pessoa. Nestes casos patológicos, por exemplo, o ego é insuflado, e não transcendido – eu sou Deus, mas eu sou o único Deus! E não, eu transcendo a minha dualidade para passar a fazer parte de uma coisa maior que eu, que é Deus. Mas o psiquiatra necessita de saber o que é uma experiência religiosa, ou mística, autêntica, para poder fazer um diagnóstico correcto.
Segundo ponto, pessoas que estão mais conectadas com a dimensão espiritual adoecem menos. Isto está estudado, estas têm menos depressões, menos ansiedade, e quando adoecem conseguem recuperar melhor.
Curiosamente, nós sabemos isto, mas pelo menos que eu conheça, não existe nenhuma intervenção que use a espiritualidade para curar, como uma forma de intervenção. Quer dizer, agora começa a ressurgir…
E isto leva-me ao terceiro ponto… com o interesse da psiquiatria nos estados modificados de consciência e do uso de algum tipo de substâncias, eu acho que é cada vez mais importante os psiquiatras estarem à vontade nesta questão da espiritualidade e neste tipo de experiências – em que os terapeutas transpessoais estão bem por dentro.
Uma das questões que se discutia muito num congresso em que eu estive há um tempo, um congresso de cientistas, académicos e terapeutas não convencionais, era o que é que fazia com que uma experiência de um estado ampliado de consciência fosse curativa? O que é que acontece para que aquela vivência mude a pessoa? E o que se acredita, ou o que parece que a experiência mostra, é que as pessoas que têm nestas experiências uma experiência de união – morte do ego, transcendência e união com o todo – estas pessoas são as que têm mais probabilidade de curar os seus problemas – adições, depressão, ansiedade, ansiedade em pessoas que estão com diagnósticos terminais – que é algo de que se fala na terapia transpessoal, isto é, no fundo o que está na base de todo o sofrimento é esta desconexão com aquilo que é maior que nós, é acreditar que somos individuais e que estamos sozinhos, desconectados do todo. E o que estas experiências dão a estas pessoas é esta reconexão.
É um caminho. Há muitos outros, mas é um caminho. A meditação faz a mesma coisa… mas dá mais trabalho… 🙂

 

MÓNICA FERREIRA
TUTORA DE “TERAPIA TRANSPESSOAL” – EDT
Narrativas Transpessoais

Narrativas Transpessoais

“A vida de uma pessoa não é o que aconteceu, mas o que ela recorda e como recorda.” 

Gabriel García Marquez


 

A vida de cada um de nós está repleta de memórias, estórias para contar, algumas felizes, outras profundamente dolorosas. A felicidade, a forma como lidamos com o que surge a cada esquina depende do peso que damos a cada uma dessas estórias e à forma como nos vemos nesse enredo.

Como contaríamos a nossa estória, se tal nos fosse pedido? Alguns escreveriam livros, colocando-se no centro da ação, verdadeiros heróis cheios de garra. Outros, escreveriam um ou dois parágrafos sintéticos. Outros, ainda, escreveriam uma crónica de fazer chorar as pedras da calçada, onde a dor, a maldade e a sensação de esmagamento estavam sempre presentes. Interessante seria pensar que a primeira situação e a última teriam vivências muito semelhantes, perdas, problemas a resolver, acontecimentos dolorosos. Não existem heróis ou vítimas se não existirem situações que os construam. Apenas a narrativa seria diferente. Alguns ver-se-iam como heróis. E outros como vítimas.

Não é difícil perceber que a “verdade” varia em função de cada um e do valor que damos às situações. Numa discussão, cada pessoa contará a sua verdade e, dentro daquilo que é o seu cenário interno, terá a razão do seu lado. E, se surgir um observador, aparentemente neutro, provavelmente verá a razão e a verdade no que estiver mais de acordo com os seus próprios valores internos. Em última instância, não somos maus ou bons. Temos diferentes valores e diferentes verdades. E somos mais ou menos felizes de acordo com a estória que criamos dentro, que habita os nossos pensamentos e anseios e, sobretudo, que contamos aos outros e a nós mesmos.

Somos infelizes devido às mentiras que contamos a nós próprios.

Hoje em dia sabemos que a nossa atenção, assim como a memória, tem “filtros” para o que recebe como vivência ou experiência. Esses “filtros” são criados a partir de experiências da infância, do que nos ensinaram em crianças e das crenças que possuímos sobre nós e o mundo. Cada experiência que vivemos não é recebida como nova, ela é “encaixada” naquilo que já acreditamos conhecer sobre a vida. Quando eu acredito que o mundo não é de confiança, vou encontrar mais “factos” que me mostrem isso. E vou recordar com maior facilidade todas as pessoas desonestas que conheci, as vezes em que fui enganada e também aquelas em que “quase” fui enganada. Esta última classe, na maioria das vezes, aconteceu somente na estória interna que vivi. Qualquer pessoa menos simpática ou cujo comportamento se enquadre no que acredito ser alguém desonesto vai entrar para as personagens desonestas da minha estória.

“Afastei-me dele porque era desonesto.” E tenho mais uma narrativa moldada pela minha realidade interna, ainda que nada tenha efetivamente acontecido. Conto a minha estória em função daquilo que acredito ser a vida.

Grande parte das pessoas que procura ajuda terapêutica chega enredada numa estória pessoal, onde não há diferença entre ela e os problemas que vive. As suas vivências foram moldadas pelas crenças e, ao ser relatadas, transformam-se nas narrativas que deram forma à sua vida e relações.

É preciso tempo para que a pessoa comece a ver o problema como algo diferente de si própria. Para que encontre qualidades e recursos que não se tinha dado conta que possuía. Para que aprenda a estabelecer uma relação saudável com o problema. E, se tudo correr como o esperado, para que mude a narrativa e encontre um significado diferente na sua vivência.

As terapias narrativas surgiram no anos 80, no âmbito das terapias sistémicas, e dizem-nos precisamente isso. Que as pessoas contam as suas estórias em função das suas crenças, cultura, circunstâncias e do problema que as envolve. Que a pessoa não é o problema. O problema é o problema e quando nos aprendemos a conhecer como alguém distinto desse mesmo problema, com recursos distintos, e que já superou outras questões anteriormente, recontamos a nossa estória e estamos prontos para andar para a frente.

Hoje em dia, cada vez mais desenvolvida no âmbito da psicologia, alguns fundamentos da terapia narrativa são também utilizados na terapia transpessoal.
“Sempre me disseram que eu era a inteligente da família e a minha irmã era a bonita.” Quando alguém cresce com uma narrativa destas, o mais provável é que molde as suas memórias e vivências para as notas que teve na escola, a forma como se formou num curso superior, os livros que leu ou o sucesso profissional que venha a ter. A narrativa interna transforma-se na sua verdade, porque nunca valorizou a roupa, a aparência exterior, festas ou o seu corpo. Ela e a sua “falta de beleza” são a mesma coisa.

O terapeuta teria como função, através de perguntas e propostas, ajudá-la a encontrar a “estória alternativa”. Quem lhe disse que ela era bonita? Em que situações escolheu não se vestir melhor, não se pintar, não cuidar do seu corpo? Quantas vezes a sua irmã vai ao ginásio ou ao cabeleireiro? Se não o fizesse como seria a sua beleza?
Ou podíamos ir mais longe. Com que personagem das estórias infantis a nossa paciente se identificava? Que estória é parecida com a sua? Qual o final desta estória, qual a moral da mesma?
Imaginemos o patinho feio…. Que não era feio, somente se comparava com algo que não era! O que é tornar-se um cisne?
Podíamos pedir-lhe também que nos contasse a sua estória, em versão de contos de fadas. Como se veria, nesta versão? A princesa, uma fada, uma guerreira? E o problema, essa falta de beleza, que personagem seria?
Quais os recursos de uma guerreira, de uma princesa? Quais os seus dons? Como pode vencer a personagem que representa o problema? Com base nisso, como recontaria ela o seu passado?

Quando damos significado ao que vivemos estamos a curar as feridas. Encontrarmos a nossa “moral da estória” ajuda-nos a seguir em frente com mais auto-estima, mais consciência, mais recursos.
Como poderemos nós recontar a nossa estória, olharmo-nos no dia-a-dia como pessoas válidas, merecedoras, que vivem ao seu melhor e no seu melhor?
Olhe para as suas circunstâncias, os “factos” da sua vida. Como poderia narrá-los de forma a viver essa vida mítica digna de um romance?
“Terminei a relação porque era insuportável e o casamento foi um fracasso.” Ou “Terminei a relação porque merecíamos viver com mais felicidade e dessa forma honrámos tudo aquilo que vivemos, sabendo quando colocar o ponto final.”
Num mesmo facto temos duas narrativas. Uma diminui-nos e torna a nossa vida destrutiva. Outra dignifica-nos e coloca-nos ao melhor das nossas circunstâncias e recursos. Qual escolheria para ser a sua?
Pode também contar a sua estória como se fosse um conto de fadas e reconhecer a personagem “mágica” dentro de si, assim como os dons dessa personagem e a forma como os aplica à sua vida. Durante muito tempo, perante uma situação desafiante, questionava-me silenciosamente “O que faria a melhor versão de ti mesma?” e isso ajudava-me a recuperar valor e honrar a minha vida e as minhas vivências.
A nossa vida é o que dela fazemos, juntamente com essa parte de mistério que nos conduz e nos coloca bênçãos e desafios. E os nossos 50% passam por dar aquilo que temos para dar, aprender a olhar-nos com dignidade, aproveitar cada instante e – definitivamente – ser felizes.
A felicidade passa, também, por olhar para trás e sorrir perante os sonhos cumpridos e os que foram postos de lado, os desafios e as celebrações, os dias de sol e as tempestades e a sensação de tudo vivido ao melhor do que sabíamos, com consciência do que escolhíamos e a responsabilidade de agarrar nas coisas com todos os recursos que nos foram dados.
Ainda vamos a tempo. De olhar o passado e ver os ”pormenores escondidos”. Os momentos em que fomos fortes. As vezes em que seguimos em frente. Quando a vida nos emocionou. Ainda vamos a tempo de ver a princesa, o rei, a guerreira, o aventureiro. Ainda vamos a tempo de dar um final feliz a cada capítulo da nossa narrativa.

 

 

ÉLIA GONÇALVES
DIRETORA CRIATIVA E DE PROJETOS DA EDT
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Entrevista à aluna da formação de “Facilitador(a) de Constelações Familiares” – Marta Muriel – pela formadora Ana Sofia Correia

O que te levou a tirares uma formação de Facilitador de Constelações Familiares neste momento da tua vida?

Eu não me sentia propriamente pronta para esta formação. Tive uma experiência durante a minha formação em Psicoterapia Gestalt, e gostei muito, mas percebi que era uma formação forte a nível pessoal e que a nível profissional não estava pronta para estar ao serviço de outras pessoas – achava que era de um respeito máximo estar a mexer no sistema de outros…mas adorei, além de adorar a minha terapia individual que era feita com Constelações, com a minha terapeuta em Barcelona, achei o máximo. Percebi que era uma das formações que eu queria fazer e foi nesta etapa da minha vida que me senti pronta, com maturidade para estar ao serviço dos outros. A verdade é que no meu trabalho a parte sistémica dá-me muita informação para trabalhar e perceber o que se passa com as crianças.

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Porquê a Escola de Desenvolvimento Transpessoal? 

Pesquisei informação na internet, uma amiga fez alguma partilha, vi que tinha amigas que conheciam a escola e isso deu-me confiança, transmitiu-me segurança, até porque senti que ia ser muito vivencial e prático, tal como eu gosto.

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Qual o momento mais marcante para ti ao longo destes 10 meses de formação?

Acho que tudo…no início muita teoria, muita informação que percebia, mas que ainda não fazia tanto sentido. O momento em que começamos a praticar as constelações, ali foi um momento de “uff” … isto é mesmo para fazer assim, ou seja a experiência, o fazer; também houve uma constelação individual que tocou mais no coração… mas foi esse o momento.

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Quem és tu agora Marta, quem é a pessoa após esta passagem?
Eu acho que… cresci a nível pessoal, ganhei maturidade, confiança, acho que sou mais madura e que consigo perceber melhor o outro. Consigo perceber aqueles que ajudo, mas sem levar para mim, olhar o outro com respeito, com mais compaixão…
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E quem é a Marta facilitadora? O que queres levar ao Mundo com as Constelações? 

É estar ao serviço do outro, estar ao serviço do Universo, das pessoas que me chegam… E quero dar ao Mundo, sossego, compreensão, consciência, amor, liberdade… a Marta facilitadora quer estar para os outros.
Tudo isto tem a palavra Gratidão!

 

ANA SOFIA CORREIA
FORMADORA DE “CONSTELAÇÕES FAMILIARES” – EDT
A Via do Amor Próprio

A Via do Amor Próprio

“Atingir o sítio onde dói é, por vezes, o caminho mais curto para a alma.” 

Thomas Moore


 

Amar é um “sacrifício”.

Um sacro-ofício, um ofício sagrado que exige compromisso, que pede dádiva, entrega e fé e onde negociamos constantemente com crenças, feridas, desilusões, ilusões, necessidades e projeções, tentando-nos manter à tona – navegando, respirando ar em golfadas entre o êxtase e a noite escura da alma… É uma maratona, não um trilho rápido em corta-mato.

Amar é, também, uma tarefa de responsabilidade. Particularmente quando falamos de amor próprio, nosso, único e individual, que não podemos entregar a mais ninguém. Porque ninguém nos sabe amar – e des-amar – como nós mesmos.

As chaves do Reino estão na nossa posse desde sempre, mas nem sempre queremos entrar nos sítios mais escuros e poeirentos, abrir as janelas e deixar entrar a aragem e a luz do Sol. É difícil olhar de frente o que não nos satisfaz em nós. Os momentos de que não nos orgulhamos, as partes que escondemos do outro, o que achamos impossível de ser amado. Por isso, caminhamos muitas vezes pela vida com o cuidado de ver se não está nada de fora, se as palavras são as certas para o momento, se a roupagem exterior não tem etiquetas que nos embaracem à vista. E esquecemo-nos de que somos sempre vistos, por mais que nos escondamos. Alguém nos lê, atravessa, abarca. E, com sorte, abraça.

Mas, como referia antes, o amor é um ofício sagrado e, por isso, não precisa que tudo esteja perfeito, contido e arrumado nas suas caixinhas. O amor precisa é de espaço, de abertura e da tal responsabilidade. Quanto mais se mergulha no mar que habita cada um de nós mais se vai descobrindo as cavernas onde nos perdemos, onde deixámos sonhos, sorrisos, esperanças, num percurso em apneia que nos puxa pela coragem, vulnerabilidade e autocompaixão.

É a responsabilidade que nos guia até lá. A madurez do adulto, de mão dada com a inocência da criança.
Simultaneamente, quase milagrosamente, encontramos pelo caminho as estórias de aventuras que nos permitimos viver, as personagens que adotámos, os mistérios em que nos envolvemos, pedaços de gargalhadas que ficaram presos algures. E vão dando fôlego na travessia.

Aquele que abraça o sacro-ofício de se amar por inteiro sabe que está, de facto, numa missão sagrada – a da jornada do herói ou da heroína no retorno a casa, ao centro, ao lugar do mundo comum, depois de olhar e viver o impensável.
Uma missão para bravos de alma, sim, mas que nos permite, eventualmente, caminhar na vida mais inteiros e menos coxos; com menos distribuições de culpa e fealdade pelos outros, mais empatia ou, pelo menos, mais liberdade em relação ao que nos pesa nas costas, nos pés, no coração.

Em quem não ressoaram as palavras daquele antigo anúncio: “se eu não me amar, quem me amará?”.

O sagrado está escondido na mais profana das experiências… 

Lembremo-nos, de um simples respirar.

 

 

MARGARIDA MONARCA
TUTORA MINDFULNESS EM CONTEXTO EDUCATIVO E FACILITADORA CIRCULOS MULHERES – EDT
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Entrevista à aluna da formação de “Terapia Transpessoal” – Sandra Nunes – pela tutora Sílvia Dias

Sandra, o que ressoou a Escola na pessoa que és?

A Escola Transpessoal ressoou na pessoa que sou hoje, para mim representou a grande e derradeira oportunidade de dar o tal passo gigante na escala da minha própria transformação.

Como uma boa entusiasta que sou, vivo cada uma das minhas experiências espirituais de uma forma superficial, pois gosto de conhecer um pouco de cada uma! Experimentei-me 1 ano e meio na Biodanza, meditações dinâmicas, Kundalini, Tai-chi, constelações familiares, tantra, thetahealing, Barras de Acess, Coaching, Pnl, Eneagrama, Inteligência Emocional, palestras e mais palestras, enfim, um sem número de terapias e afins!

A EDT apareceu numa altura em que já ia com 12 anos de um processo espiritual intenso, em que senti o quão importante seria para o meu desenvolvimento pessoal, aprofundar-me verdadeiramente em algo. Senti que estava preparada para dar consistência e forma a todo este puzzle vivencial, no sentido de aprofundar-me em algo “maior” e com um compromisso bem sério de ir mais além de mim, ir bem lá dentro curar o que está pronto para ser curado.

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O que é para ti ser Terapeuta transpessoal?

Ser Terapeuta Transpessoal é verdadeiramente um sonho, uma vez que a psicologia tradicional já me atraia outrora, mas vejo a Terapia Transpessoal como um “upgrade” tornando-a completamente adaptada ao mundo atual.
É uma Terapia que reúne todos os condimentos necessários ao chamado da minha Alma. Apaixona-me verdadeiramente, o que faz com que me torne um Ser mais Pleno e Feliz!

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Há mudanças em ti antes e depois da Escola?

Já existem mudanças bem significativas e consideráveis em mim após o estudo dos vários temas da terapia transpessoal – a minha consciência nunca mais voltará à mesma forma 🙂
Tudo começou com o processo de “perdão” aos meus pais, algo que teria que acontecer mais cedo ou mais tarde para continuar a crescer espiritualmente. Se isso não estivesse bem resolvido dentro de mim existiria sempre algo que me iria impedir de fluir com a vida e de viver a minha verdadeira Plenitude.

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Como vês o Ser Humano?
O Ser Humano de Essência é Luz e Amor, só que os seus Medos e Inseguranças muitas vezes limitam essa Beleza Divina…
A sua Transformação verdadeira acontece quando se transmutam todos os traumas da infância e vivências negativas em algo “maior”, mais positivo.
“Quem conhece ama”, é uma afirmação bem profunda, quando nos damos ao trabalho de conhecer a história do outro, quais os seus medos e aspirações – é impossível não termos compaixão e amor por ele.
Todos os comportamentos têm uma explicação e cada Ser Humano é único e irrepetível, logo vem capacitado com o seu próprio Mapa Mundo, que deverá ser percecionado com olhos de compaixão, sem julgamento. 
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O que é a Vida para ti?
A Vida para mim é uma grande dádiva, tanta Abundância para todos, tantas coisas lindas para se experienciar! A Vida é realmente mágica para quem se permite descobrir a pessoa que é e que poderá vir a ser!
A Vida é um Milagre que deve ser explorado com todos os Sentidos, de forma cada vez mais consciente e quando confiamos integralmente que “Tudo está Certo” a Vida torna-se ainda mais Bela e Sublime! 

SÍLVIA DIAS
TUTORA DE “TERAPIA TRANSPESSOAL” – EDT