Regulamento #12ANOS

Regulamento #12ANOS

Regulamento

#12anos

Caminhar em conjunto, conectando-se desde esse lugar mais profundo, vulnerável e genuíno, não é um luxo, é uma necessidade, uma vontade e uma firme revolução! Vem CELEBRAR(TE) connosco!

 

 

 

 

 

 

 

 

  1. A campanha #12anos aplica-se às formações que têm início no mês de Novembro 2022

    Facilitador Mindfulness em Contexto Educativo, Facilitadora de Círculos de Mulheres, Constelações Aplicadas à Consulta Individual.

  2. A campanha é válida para as 12 primeiras inscrições e até ao início das formações abrangidas e não é acumulável com outras promoções, campanhas ou descontos.

  3. Para as novas 12 primeiras inscrições a partir de 15 de Novembro de 2022, realizadas até à data de início das formações, será oferecido um desconto imediato de 25% sobre o valor do curso (exclui o valor da matrícula e o valor da estadia para a modalidade presencial).

 

Informações, Programa e Inscrição: 

Facilitadora de Círculos de Mulheres  

http://escolatranspessoal.com/facilitadora-transpessoal-de-circulos-de-mulheres/ 

https://escolatranspessoal.bestgest.eu/training/curso_insc/facilitadora-transpessoal-de-circulos-de-mulheres 

Facilitadora Mindfulness em Contexto Educativo 

http://escolatranspessoal.com/facilitador-mindfulness-em-contexto-educativo/ 

https://escolatranspessoal.bestgest.eu/training/curso_insc/facilitador-mindfulness-em-contexto-educativo

Constelações Aplicadas à Consulta Individual 

http://escolatranspessoal.com/constelacoes-aplicadas-a-consulta-individual 

https://escolatranspessoal.bestgest.eu/training/curso_insc/constelacoes-aplicadas-a-consulta-individual

 

  1. Considera-se aluno inscrito todo aquele que, tendo preenchido e enviado a ficha de inscrição, tenha efetuado o pagamento da matrícula. Não haverá devolução do valor da matrícula em caso de desistência da inscrição ou frequência curso.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O Encontro com a Velha – a iniciadora de processos

O Encontro com a Velha – a iniciadora de processos

“E a menina estremeceu.

– Avozinha, eu venho pelo fogo. A minha casa está fria… O meu povo vai morrer… Eu preciso de fogo.

Baba Yaga retrucou:

– Oh sim, eu conheço-te bem e ao teu povo. Bem, sua criança inútil… deixaste o fogo apagar-se. Isso é uma coisa muito imprudente de se fazer. E, além disso, o que te faz pensar que eu deveria dar-te a chama?

Vasilisa consultou a sua boneca e respondeu rapidamente:

– Porque eu pedi.

E Baba Yaga ronronou:

– Estás com sorte, essa é a resposta certa.”

 

Baba Yaga é essa figura mítica tão conhecida do folclore eslavo onde habita o arquétipo da “velha”, não propriamente a avozinha doce e nutridora que nos cuida e protege, mas um espírito meio selvagem, solitário e desconcertante que nos convida a situações de desconstrução, transgressão, novos olhares perante a vida ou perdas de ingenuidade. Cada uma das circunstâncias onde somos colocados pela sua mão apelam a momentos de iniciação.

O arquétipo da velha é comum a toda a mitologia do mundo, assim como a sua aparência meio descuidada, e o rosto assustador, seja ele por ter só um olho, dentes afiados ou feições de cores azuladas.

Na Escócia encontramos neste arquétipo as “bruxas da tempestade” forças da natureza que personificam tantas vezes elementos destrutivos, por vezes ligados ao vento. A Cailleach irlandesa está relacionada com os fins de ciclo e das colheitas, o frio e a soberania, pois ela é, também, a iniciadora e modeladora da terra, desde o início dos tempos. Em tantas outras tradições, a velha recoleta ossos e é muitas vezes vista cercada de pilhas deles.

Talvez devido ao seu aspeto pouco polido, às questões desconcertantes ou aos convites que nada têm de suaves, a velha tem sido remetida para a “bruxa má” ou a “velha louca”. Em verdade, ela não apresenta rigorosamente nada que o mundo racional, ordenado e linear valorize. Não é produtiva, não luta por status e não ostenta a beleza da juventude, tão fortemente cultuada de forma obsessiva e vista como fonte de poder.

Não cai nos dramas da vida comum e, ao nosso olhar, parece tirar um gozo particular das nossas tragédias, incertezas e confusão. Ri-se quando choramos, aparece quando não é esperada e dá-nos tarefas impossíveis.

Mas a Velha, essa que nos soa a louca, é a grande Iniciadora de processos, a portadora das histórias, aquela cuja sabedoria profunda foi alimentada pela experiência e vê para além de uma só versão. Ela é a guardiã de portais, um espírito limiar, vive entre mundos e não se deixa guiar pelo comum. Ela sustenta o paradoxo, cuidando da vida quando a morte vem. Mantendo a roda a girar, quando a vida necessita de tempo para morrer e renascer. Ela preenche o vazio entre os velhos ciclos e os novos. E ensina-nos a abrir mão do que está a ir.

Na presença da velha, sente-se a noite dos tempos, os grandes sacrifícios, as perdas e a alma do mundo. Ela habita o penhasco, a neblina, a floresta densa, as ondas furiosas. Caminha nas pedras e nos sulcos de neve.

E nas suas tão estranhas perguntas desconstrói-nos dos modelos que nos destroem lentamente. Nas impossíveis tarefas permite-nos o espaço necessário para que novos trilhos se abram. Nas suas gargalhadas fortes, relativiza os dramas pessoais perante a grande história e tudo o que vive. 

Pois na verdade, ela aparece quando as chamas se apagam, quando as crianças se perdem na floresta, quando as donzelas estão prontas para se tornar mulheres. Nas grandes histórias é ela, a Velha, na sua presença complexa e pouco compreendida, que molda e orienta o rumo das personagens centrais. A sua grande compassividade é o lugar da Iniciação. Aprender a largar o que findou. Transgredir o “obvio”, o arrumado, previsível, para encontrar o lugar criativo de quem somos. E permitir que o trabalho e a astúcia se transformem nas vestes da maturidade para os ciclos que virão.

Afastada do sol e da leveza do calor, a Velha é o Inverno que chega e nos obriga a criar ninho. A tempestade que destrói, mas que reforça o rio. A chuva que molha e que nutre. A crueza da vida, no seu infindo abraço.  A memória do que foi esquecido e carregamos em saudade.

Artigo publicado na Revista Vento e Água nº 39

ÉLIA GONÇALVES
DIRECÇÃO CRIATIVA E DE PROJECTOS

 

 

Regulamento #HelloWin

Regulamento #HelloWin

Regulamento

#HelloWin

Aproveita este momento para abrires a porta a um mundo mágico e misterioso. Deixa-te tocar pelas Teias que nos entrelaçam e conectam. 

 

  1. A campanha #HelloWin aplica-se às formações que têm início no mês de Novembro

    Terapia Transpessoal, Facilitador de Educação Mindfulness, Facilitadora de Círculos de Mulheres, Constelações Aplicadas à Consulta Individual.

  2. A campanha é válida no período de 31 de Outubro a 5 de Novembro 2022 e não é acumulável com outras promoções, campanhas ou descontos.

  3. Cada nova inscrição realizada no período da campanha e que venha por intermédio de outro aluno/inscrito na EDT receberá um desconto imediato de 10% sobre o valor do curso (exclui o valor da matrícula e o valor da estadia para a modalidade presencial).

  4. O aluno ou ex-aluno da EDT que trouxer uma nova inscrição receberá um desconto de 10% (exclui o valor da matrícula e o valor da estadia para a modalidade presencial) sobre o valor do curso que vier a frequentar (excluem-se formações concluídas ou que iniciaram antes da data da campanha).

  5. O aluno ou ex-aluno da EDT que trouxer novas inscrições poderá receber até ao limite de descontos de 100% do valor de um curso que vier a frequentar (mesmas exclusões definidas no ponto 4).

  6. No momento da nova inscrição os novos alunos deverão indicar o nome do aluno que os recomendou e que também irá usufruir do desconto da campanha.

  7. Para beneficiar da promoção os alunos deverão inscrever-se num dos cursos abrangidos:

Informações, Programa e Inscrição:

Terapia Transpessoal

http://escolatranspessoal.com/terapia-transpessoal/

https://escolatranspessoal.bestgest.eu/training/curso_insc/terapia-transpessoal

Facilitadora de Círculos de Mulheres

http://escolatranspessoal.com/facilitadora-transpessoal-de-circulos-de-mulheres/

https://escolatranspessoal.bestgest.eu/training/curso_insc/facilitadora-transpessoal-de-circulos-de-mulheres

Facilitadora Mindfulness em Contexto Educativo

http://escolatranspessoal.com/facilitador-mindfulness-em-contexto-educativo/

https://escolatranspessoal.bestgest.eu/training/curso_insc/facilitador-mindfulness-em-contexto-educativo

Constelações Aplicadas à Consulta Individual

http://escolatranspessoal.com/constelacoes-aplicadas-a-consulta-individual/

https://escolatranspessoal.bestgest.eu/training/curso_insc/constelacoes-aplicadas-a-consulta-individual

  1. Considera-se aluno inscrito todo aquele que, tendo preenchido e enviado a ficha de inscrição, tenha efetuado o pagamento da matrícula. Não haverá devolução do valor da matrícula em caso de desistência da inscrição ou frequência curso.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Encontrar Vida no Caos – o mito nas pequenas coisas

Encontrar Vida no Caos – o mito nas pequenas coisas

O momento de perceber a realidade concreta como uma realidade interna, como uma imagem da alma, é um momento intemporal, quando o mundano encontra o divino. Este é o processo de soulmaking.

Marion Woodman

 

Ainda me recordo de quando Setembro era o meu mês favorito. A minha consciência cíclica era visceral e não cognitiva. O ansiado verão estava nos últimos dias e a praia, onde eu habitava durante as férias, via-se vazia e em silêncio. Ainda se mergulhava nas manhãs em que o calor o permitia, mas já pouco importava se vinha o frio. Era tempo de caminhar na areia, de contemplar, de estar com os poucos que também ficavam para os últimos dias. De alguma forma, almejava-se já pelo regresso a mangas compridas e dias de casa e lareira. A escola, lugar detestado há tão poucas luas, era um espaço de saudade. Reencontrar amigos, o cheiro dos livros novos e o material escolar.

Estava longe da burocracia, da ansiedade pesada do regresso, das compras e das tarefas para que a vida continuasse. O meu processo era mítico. Uma imagem de alma que se entranhou na pele, a ponto de eu verbalizar, durante anos e anos a fio, que Setembro era o meu mês favorito. Continuei a fazê-lo mesmo depois de estar longe do cheiro das marés vivas, das trovadas secas e das primeiras chuvas. Mesmo quando a paragem, as caminhadas e uma suave reentrada no mundo foi substituída pela correria, pela burocracia e pelos inícios laborais violentos.

Muito mais tarde percebi que este Setembro antigo e intemporal, lento e carregado de pequenas imagens, fossem elas cheiros, cores ou abraços, era para mim um mito vivo, um lugar de alma, o sagrado das pequenas coisas a carregar de energia a minha vida.

Para o processo de soulmaking – o extraordinário ato de vivenciar o mito nas ações mais simples da vida – a pressa, a rigidez mental e a sobreposição de tarefas tornam-se um problema.

O outono dá lugar a um deixar cair de folhas, às chuvas que trazem de volta vida a tudo o que cresce debaixo do solo e pede um reajuste nos tempos, na energia a despender e até na luminosidade dos dias. A vida cíclica pede-nos o trabalho necessário para a preparação do inverno. Mudança no vestuário, o abrir armários aos casacos e mantinhas de sofá, o voltar às sopas quentes ou às lãs que tricotamos.

A estas tarefas ainda um pouco poéticas e floreadas, acena-nos a bomba da realidade. O regresso ao trabalho, a reentrada das crianças na escola, os materiais a comprar, os projetos para iniciar, os horários, as expetativas, o novo e o velho a quererem ser vistos e ganhar espaço. Um cansaço que se entranha em nós como se o descanso das férias não tivesse surgido. Uma corrida que parece inimiga do corpo e da estação, que se pede mais lenta talvez, e mais focada.

Paradoxalmente, a estação requer trabalho. Ainda a colheita e o guardar, o arrumar e preparar. Um labor externo intenso, tantas vezes sem espaço para o interior. Um labirinto sinuoso por entre trilhos e viragens, sem saber onde chegar e sem poder ficar parado. Trabalhamos reinícios sentindo a presença dos fins de ciclo.

Será este cansativo paradoxo que nos prepara para o Inverno? A energia necessária para suster a densidade das descidas, as noites escuras e o recolhimento? Pois há partes de nós que só crescem no escuro, e precisamos, inegavelmente, de lhes dar espaço e amor. Trabalhar e parar, laborar e abrandar. Caminhar sem rede nos fios emaranhados da vida mundana.

Uma coisa é certa. Há mais cansaço quando o mito se vai, quando o significado se retira e a vida se constrói somente de tarefas. O que mantém a alma viva, quando a intensidade dos dias nos faz perder de vista a nós mesmos e a vida a acontecer?

Há que agarrar o mito, ainda que no caos. Agarrar no peito as imagens da alma que nos alimentam os dias de Outono. Quais os mitos vivos que nos embalam, que transformam dias longos em momentos intemporais?

O cheiro das castanhas assadas que começam a chegar? O chá quente nas mãos ao som das gotas de chuva na janela? O cheiro da terra molhada que invade cada pequeno centímetro de sensibilidade porosa dos nossos sentidos? Um certo poema que nos recorda a eternidade efémera da vida? O que nos constrói a alma quando tudo o resto parece perder-se por entre as horas do dia?

O mito “move-nos”, ativa emoções e metáforas intemporais. Sussurra-nos estórias em silêncio, sem construção necessária e com movimento interno. Não nos retira do lugar, mas dá-nos chão, pertença e sentido. Uma mitologia viva não nos pede que construamos catedrais, mas que olhemos para as pedras do caminho e possamos encontrar nelas as catedrais de todos os tempos, as canções que já não são escutadas, e que contam a história de todos os outonos do mundo e de tantos como nós que se preparam para o Inverno. Recria-nos nos pequenos atos mundanos da nossa extraordinária vida. Criatividade e alma são – desde e para sempre –  as teias que nos ancoram.

E para alimentar a alma teríamos que encontrar maneiras de nutrir a imaginação, começando com fertilizantes, sim, da pilha de compostagem, e depois revirando a terra com a lâmina de um arado na época certa para dar luz e ar, e regá-lo cuidadosamente com água-viva até que no final possa sustentar um jardim para nos alimentar novamente.

Stephenson Bond

Artigo publicado na Revista Vento e Água nº 38

ÉLIA GONÇALVES
DIRECÇÃO CRIATIVA E DE PROJECTOS