O Amor é Vida, o Amor é Morte

O Amor é Vida, o Amor é Morte

“O amor é o grande desafio do ser humano e também a maior promessa. Filhos de uma sociedade onde o poder é o paradigma base, amar é um processo de aprendizagem e de criatividade, exigindo-nos a coragem da reinvenção constante.”


Há uma estória Inuit , uma das minhas preferidas, que fala do encontro com o amor, com a morte e com a vida, e de como é o amor aquilo que volta a trazer a carne aos ossos. Trago-a aqui porque amo estórias, e as estórias falam-nos dos grandes temas de Vida, entre eles, a demanda pelo amor. Há quem diga que o amor é uma questão de sobrevivência da espécie ou dos indivíduos, um impulso biológico governado por hormonas, porém o amor é muito maior do que isso, vai muito além, e fala-nos do Mistério, das vivências profundas da alma, daquilo que nos é tão necessário como o alimento físico.

O amor é o poder que instila Vida, e está por isso incontestavelmente ligado à morte. Por todo o mundo, da Grécia antiga às tribos aborígenes, as estórias e os mitos mais antigos cantam o amor, e as demandas, e tarefas que têm de ser cumpridas para o alcançar, numa imagem de um casamento perfeito entre dois seres que podem agora saciar uma sede primordial e recuperar a sensação de união perdida. Por todo o mundo, em todas as culturas, a História está pejada de grandes amores, alguns trágicos, outros mais bem-sucedidos. Em todos, os amantes, colocados perante enormes obstáculos, tinham de ultrapassar diversas provas até alcançarem o seu prémio, o amor verdadeiro. Essas provas podiam envolver a morte, caso não fossem superadas, mas se vencidas, concediam o amor eterno, a vida eterna, o ansiado “para sempre” dos finais felizes. Presente em todas está sempre este jogo de luz e sombra entre amor e morte. Para os humanos modernos como nós, a morte é um tema com o qual não gostamos de lidar, e interpretamos este padrão arquetípico como uma ameaça externa à segurança e paz idealizadas num relacionamento romântico.

Esquecemo-nos que a vida só é vida porque existe morte, e ambas caminham de mãos dadas. Mostraram-nos a morte como o fim do caminho, contudo, nada podia estar mais longe da verdade, visto que a morte é uma incubadora para a vida, uma etapa de pausa, de vazio transformador e criativo, antes de um novo ciclo de vida: é da morte do fruto que vem a semente, semente que para germinar e trazer nova vida, precisa de descansar no submundo, debaixo da terra. Ao seu próprio ritmo, no seu próprio tempo, algo novo será gerado e nascerá, do mesmo modo que no seu próprio tempo, o que já não tiver de ser definhará e morrerá.

A existência pede tempo, e pede também o equilíbrio do dar e do receber, a troca. Damos e recebemos continuamente, e tudo o que a vida nos traz tem um valor de troca, um preço. Não estamos conscientes desta verdade, em especial quando somos demasiado jovens, ou ainda passamos pelas iniciações da vida. E, contudo, intuímos que o amor é um tesouro, e procuramo-lo com a ideia de que ao encontrar esse tesouro ele vai nutrir-nos para todo o sempre, satisfazer todas as nossas vontades e desejos, curar as nossas feridas e completar os nossos vazios.

O que geralmente não fazemos é ponderar o nosso papel em tudo isto: preferimos ignorar o que a vida nos pede em troca. Temos de estar preparados para deixar morrer em nós aquilo que já não serve essa nova vida, ou que é demasiado pequeno para ela. Temos de nos permitir desembaraçar o novelo interno das nossas ilusões e expectativas, e descobrir aquilo que tem de morrer. O que podemos dar à morte, para que mais vida possa surgir? O que é que tem de morrer em nós para que o amor possa viver? Estas são perguntas difíceis, que pedem respostas ainda mais difíceis.

Os artistas — em íntimo contacto com o mundo da Alma, esse universo de símbolos e imagens, rico em nuances, fértil em questões, hábil a escapar a rótulos e limitações — sabem bem o que o amor tem em comum com o processo de criar algo, e conhecem os meandros desse esgotante labirinto criativo. Mas quem cria, e quem ama, tem de o fazer a partir da alma, “núcleo vital, misterioso e selvagem” de cada indivíduo. É a partir desse espaço que conseguimos verdadeiramente amar: o que há em nós e no outro, o belo e o não belo, com a coragem de permanecer com tudo o que somos e com tudo o que o outro é, capazes de soltar o que já não tem lugar.

A grande sabedoria desta estória Inuité recordar-nos que o amor verdadeiro conhece as exigências deste ciclo de vida-morte-vida, renovando-se e reinventando-se continuamente, num processo criativo sem fim.

Constata-se que este processo pede três coisas, essenciais a este amor vivo.

O estar disposto a aprender e a crescer, descobrindo novas formas de ser, e de se relacionar. A tenacidade para percorrer o caminho, que se mostra frequentemente difícil, rochoso, cheio de altos e baixos, esgotante, e que nos deixa sem recursos. Curiosamente, é quando já não nos restam mais defesas, escudos e muralhas, que ficamos realmente nus, transparentes perante nós e perante o outro, prontos a ver e a escutar com o coração, compassivamente, para lá das ilusões infantis.

Finalmente, a paciência para aprender, com o tempo, a profundidade do amor. A paciência para nos conhecermos, para compreendermos o que nem sempre é visível, e para confiar no próprio processo criativo. Acima de tudo, pede essa coragem extraordinária do coração: estar disposto a morrer e nascer de novo, uma e outra vez, como parte do próprio fluxo de vida.

 

PATRÍCIA ROSA-MENDES
TUTORA DE TERAPIA TRANSPESSOAL E MEDITAÇÃO DA EDT
Acompanhamento transpessoal na relação de casal

Acompanhamento transpessoal na relação de casal

Datas

12 de Outubro de 2020

Valor

Solicita-nos

Localização

Online e Práticas Presenciais 

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Duração

20 semanas

“O único transformador, o único alquimista que transforma tudo em ouro, é o amor. O único antídoto contra a morte, a idade, a vida vulgar, é o amor.”

– Anais Nin

“As pessoas nasceram para amar”, como refere a antropóloga Helen Fisher. Esta vinculação ao outro de uma forma livre e sem pressão é fonte de criatividade e expansão, oferece intimidade, confiança e consciência. O amor é uma aventura que atravessa crenças, expectativas, medos, e por vezes precisa de um espaço e tempo de acompanhamento para poder continuar.

 O objetivo desta formação é conhecer, compreender e saber aplicar a abordagem transpessoal nos temas relevantes à relação de casal, adquirindo competências específicas para acompanhar o casal nas suas diferentes etapas.

A quem está dirigido

Terapeutas, Facilitadores de Desenvolvimento Transpessoal, Psicólogos e Acompanhantes na área terapêutica/saúde, com avaliação curricular.

Ferramentas

Acompanhamento

Sessões de grupo de orientação transpessoal quinzenais, com uma hora de duração, realizadas por videoconferência.

Campus Virtual

Comunidade de aprendizagem com a qual irás partilhar descobertas e compreensões, criando vínculos profundos. No Campus encontrarás material didático semanal com os temas de reflexão, com os pontos de indagação pessoal e propostas de práticas.

Encontro de práticas residencial

Esta formação está concebida de forma eminentemente prática e vivencial. Nela está incluído um retiro de acompanhamento transpessoal na relação de casal para desenvolvimento pessoal e profissional.

Modalidades

B-LEARNING

Regime de b-learning, com vivência e prática. Retiro residencial de fim-de-semana, a realizar em Portugal (19 a 21 de Março de 2021).

 

Curso

Campus Online

Práticas

Retiro Intensivo

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COM.UNIDADE EDT – Entrevistas a Alunos

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Um espaço para partilhar e dar voz à crescente Com.Unidade EDT


Entrevista ao aluno da formação em Mindfulness – José Agostinho Santos – pela tutora Cátia Pinto

Querido José, começando exatamente pelo princípio… Quais foram as motivações   que te trouxeram até à Escola de Desenvolvimento Transpessoal e qual foi o apelo  ou chamamento que tu sentiste para esta formação de Mindfulness em particular?

Eu encontrei a escola precisamente porque tinha esse apelo, esse chamamento… Para algo que me completasse enquanto ser humano e que eu sentia que era necessário enquanto desempenho da minha atividade profissional. Ou seja, eu sentia que ao longo do meu dia-a-dia tinha muitos encontros com seres humanos e que, efetivamente, esses encontros eram em torno da saúde mas que muitas vezes só podiam ultrapassar a medicina. Ou seja, era impossível aproveitar todo o potencial destes encontros – que são as consultas – se eu me cingisse apenas à medicina. Porque com esta abordagem, enfim, do ser humano enquanto um ser global – e mesmo que nos centrássemos apenas na sua saúde -, eu centrar-me apenas na medicina ou na minha formação profissional seria, a meu ver, não prestar um serviço ao próximo de uma forma que eu, se calhar, poderia fazer com algo mais. E foi por causa disso que eu pensei, refleti um pouco sobre o que poderia fazer… Como poderia eu ajudar a retirar deste encontro algo que fosse muito produtivo para aquela pessoa que me procurava enquanto médico mas que, no fundo – e eu sentia – me procurava sobretudo como um ser humano? Então, nesta minha reflexão, uma das coisas ou áreas em que eu pensei foi o mindfulness porque já tinha ouvido falar anteriormente e em diferentes situações. E pensei que o mindfulness me poderia ajudar precisamente por causa disto. Porque, de certa forma, me permitiria abrir a consciência sobre a forma como eu era humano e, portanto, de certa forma, também me permitiria estar mais aberto para receber um pouco a humanidade do outro. E então achei que seria por aí… E foi dessa pesquisa, alguma na internet sobre o mindfulness, que encontrei a escola. Depois, o programa curricular agradou-me imenso e foi dessa forma que fui ter à escola. E o chamamento ou apelo veio muito por este contacto diário com as pessoas, com os seres humanos.

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Já nos revelaste que és um profissional da área de saúde, mais concretamente médico. Eu ia pegar exatamente nisso… Agora, após esta formação, como é que tu sentes que o mindfulness te veio ajudar nesse acompanhamento aos outros?

De diferentes formas… Enquanto ser humano que desempenha a sua atividade profissional como médico, ou melhor, enquanto papel de médico, de facto isso permitiu-me ter consciência de um conjunto de situações que, até então, eu não estava tão consciente. Relações de trabalho, relações de gabinete médico-paciente, relações com a tutela… Enfim, toda uma ampla gama de comunicações que um médico estabelece com diferentes vertentes, em reuniões de trabalho, outros compromissos profissionais, com pacientes, com os membros da gestão e da administração… Portanto, há aqui todo um fator comunicacional, e o tom do fator comunicacional tornou-se muito evidente para mim com o mindfulness. E isso permitiu-me, por diversas situações, abordar determinadas questões de uma forma por vezes muito mais ativa e, por outras vezes, de uma forma muito mais passiva.
Enquanto médico ou clínico, por assim dizer, ou seja, já no campo da relação médico-paciente, o mindfulness também me trouxe temáticas muito semelhantes. Também me trouxe, muitas vezes, algum desprendimento de questões que seriam muito relativas a formas arcaicas que eu teria – e que ainda tenho – de pensar e que, de facto, se calhar, provavelmente não teriam a ver com a situação da relação nem do paciente em si. E, portanto, houve aqui um conjunto de situações de que me tornei consciente ou que me dei conta, e que foram momentos que criaram momentos de desapego… Foram momentos importantes. E também me permitiu suster, de alguma forma, muitos processos de tomada de consciência dos pacientes com as questões que me traziam. Portanto, acho que a formação também me permitiu ser aquele acompanhante de alma em muitos momentos da consulta – aqueles acompanhantes de alma de que tanto falamos por diversas situações… Portanto, acho que respondendo à tua questão, eu divido um bocadinho aqui as questões em “eu enquanto funcionário de uma instituição”, mas também “eu enquanto clínico”. Acho que o mindfulness me ajudou muito nessas duas vertentes do meu dia a dia. Pronto… Depois nos campos pessoais, ou seja, fora do campo profissional, também teve um impacto muito positivo no meu dia-a-dia.

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Aproveitando essa tua deixa, de que forma é que sentiste esse impacto a nível  pessoal? Não sei se será ou não o caso, mas sentes que há um “José antes” e um        “José depois” desta formação e da integração do mindfulness?

 

Sim, há. A nível pessoal, ou seja, fora do campo profissional… Na verdade não é assim muito diferente. Porque os amigos e familiares são pessoas como quaisquer outras pessoas que entram no meu gabinete e, portanto… É um pouco complexo dividir assim desta forma mas pegando, por exemplo, no caso dos familiares e dos amigos. Há um José diferente… ou não diria que é diferente, há um José que entretanto segue o seu caminho e que, desta vez, está a fazer o seu caminho e está a tomar consciência do seu caminho. E isso, por sua vez, faz com que eu, ao tomar consciência, mude um bocadinho de rumo. Mas também não acredito que houvesse um José dantes porque sempre estive em mudança. Acho que sempre estive em mudança mas, se pudesse fazer um apanhado mais global, acho que há aqui questões relativamente às amizades que, de facto, o mindfulness me permitiu tomar decisões de uma forma sem culpabilidade.
Ou seja, há formas de pensar que eu tenho que são facilmente reproduzíveis e há sentimentos de alguma culpabilidade por vezes por não poder estar disponível. E eu tomei consciência disso. E a partir do momento em que eu tomo consciência disso também entendo o ponto de comunicação. Por vezes, existem algumas relações de amizade que são orientadas, por exemplo, para esse ponto de culpabilidade e efetivamente acabam por reproduzir reações de uma pessoa que se move por culpabilidade. Ora, ao tomar consciência disto mesmo eu também tomo consciência que posso não seguir esse circuito para o qual a minha mente já estava tão treinada e que existem formas alternativas. E aprendi, de facto, a não me sentir culpado em muitas situações. Porquê? Porque existe sempre uma alternativa, ou seja, o mindfulness permitiu-me vislumbrar potencialidades e inúmeras alternativas perante as situações e a não me mover, por exemplo, por alguma culpabilidade. Também me permitiu perceber ou entender a intenção, a intenção com que me movo. E permitiu-me perceber que isso provavelmente será o mais importante de tudo, a intenção com que se faz algo. E não tudo o que vem a seguir, ou seja, a ação em si, o resultado em si. Também me permitiu, em muitas situações, suster o caminho do outro em busca da sua própria intenção. Eu acho que se pudesse destacar a nível do campo pessoal aquilo que o mindfulness mais me trouxe foi o vislumbrar das intenções que estão no início da atitude e depois no comportamento, na ação e resultado. É estar bem na raiz de uma série de eventos que, entretanto, acontecem e que são bem mais visíveis.

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O que realmente significa para ti ser mindful? O que consideras ser o equipamento indispensável para levar numa bagagem mindfulness?

Para mim, é estar neste estado de absoluta vigilância ou de observação. De facto, de tudo o que acontece em nós, sobretudo desta voz interna. É desta forma até que eu explico a muitos pacientes o que é estar mindful. É isto… E para mim é a forma mais simples que eu arranjo de explicar. E no fundo, no fundo, é aquilo em que eu mais acredito. É o estado de escuta plena ao que esta voz interna nos diz, sem querer dizer que se vai seguir esta voz. Apenas escutar de forma atenta a voz interna, ponto. E eu acho que é isso que para mim mais define o mindful, o estar mindful. Poderíamos arranjar outras formas de o dizer… Mas penso que, se eu conseguisse estar mindful – não consigo estar sempre assim – em todos os segundos dos meus dias em que estou acordado, e se todos os seres humanos conseguissem fazê-lo, teríamos uma comunicação… Provavelmente, não haveria tantos problemas no dia a dia. Conseguir-se-iam resolver muitas questões, muitos problemas deixariam de existir. Portanto, para mim, é isso… definir o “estar mindful” seria assim dessa forma.

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[Eu não resisto a colocar esta última questão e a lançar-te este desafio porque ainda tenho bem presente o teu trabalho final e as imagens com que nos foste brindando ao longo do mesmo.] Se eu pedisse para visualizares uma imagem ilustrativa do mindfulness e daquilo que ele representa para ti, que imagem seria essa?

[risos] Bem, essa tu já sabes devido ao meu trabalho… Eu nunca mais perdi a imagem do farol, ficará para sempre como a imagem mais ilustrativa por aquilo que me transmite. O farol está num ponto estratégico entre terra e mar. E quando é noite ele roda e a luz é projetada e alcança tudo da mesma forma, independentemente de estar orientada para o mar agitado ou para a terra calma. O que é certo é que o farol ilumina tudo de igual forma, independentemente de estarem ondas de 10 metros ou ondas de 2 metros, independentemente do mar estar muito agitado e da terra estar completamente serena. Digamos que é um receber por inteiro aquilo que o rodeia iluminando tudo de igual forma e, por isso mesmo, representa o mindfulness. É este estado de absoluta observação e abertura do que acontece, independentemente do que acontece e porquê acontece. Porque o farol não ilumina apenas o mar agitado enquanto faz a sua função, ou não desvia a sua luz porque o mar está mais agitado ou porque o mar está mais sereno. Portanto, representa este estado de total abertura para o que vier no feixe da luz e é um pouco por isso que eu acho que representa bem o que é o mindfulness. Este estado de observação plena.
No entanto, há uma outra imagem que entretanto também surge na minha mente e que se prende com uma imagem particular – um objeto de decoração – de uma estatueta de Buda que, de alguma forma – não sei porquê – comunica comigo de uma forma tão especial. Há qualquer coisa naquela estatueta que me transmite uma presença… Os olhos estão desenhados de uma forma que revelam presença ao momento concreto e que, de facto, para mim também representa muito bem o que é – ou o que será – o mindfulness. Ou seja, é aquele estado de absoluta não inquietude – não gosto de dizer serenidade -, em observação plena ao que acontece. E essa imagem transmite-me precisamente isso mesmo, ou seja, quando eu observo essa estatueta, efetivamente, naquele momento, eu consigo estar ali. Sem nada mais, em pura observação. A verdade é que fico completamente no momento, no agora. Todos os pensamentos que poderia trazer antes de ver aquela imagem, por momentos, desaparecem. E é uma imagem que me transmite sempre um profundo momento meditativo. Se calhar, para mim, se eu pudesse ilustrar seriam essas as duas imagens que eu escolheria.

 

 

 

CÁTIA PINTO
TUTORA DE “CONSULTORIA MINDFULNESS” – EDT
COM.UNIDADE EDT – Entrevistas a Alunos

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Entrevista ao aluno da formação de “Consultor Mindfulness” – Rodrigo Fragoso – pela tutora Mónica Ferreira

Gostaria de começar por perguntar qual o motivo que te trouxe até ao curso de Consultor de Mindfulness?

O interesse pelo Curso surgiu por querer aprofundar o meu conhecimento sobre a prática do Mindfulness. Sou praticante de meditação há vários anos, e percebi que a leitura da mais diversa bibliografia que se encontra nas livrarias sobre o Mindfulness não aprofundava a temática na sua globalidade como eu desejava. Quando vi o programa do Curso de Consultor Mindfulness, e percebi a abrangência de áreas que iria desenvolver e trabalhar, não tive dúvidas sobre ser este o trabalho de investigação que eu procurava sobre o Mindfulness.

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Trabalhas como Psicólogo Educacional num agrupamento de escolas, sentes que esta formação é uma mais valia para o trabalho nesta área? Qual te parece ser o grande contributo desta formação na tua área de trabalho?

Este curso foi extraordinariamente importante para mim, quer em termos pessoais, quer individuais. No que respeita à minha profissão como Psicólogo, está a ser uma grande mais valia, pois permite-me colocar as aprendizagens em prática no meu dia-a-dia profissional, quer a nível pessoal, na forma como faço a gestão do meu tempo, das emoções e relações com o outro, quer a nível profissional, realizando formação e ensino de técnicas Mindfulness às crianças, jovens e adultos com quem trabalho diariamente. Sinto que a nível profissional, o Mindfulness, é cada vez mais, uma área procurada por muitas pessoas que sentem necessidade de tornar a sua vida e o seu dia-a-dia mais consciente e mais presente, podendo assim proporcionar ao outro uma muito melhor qualidade de vida e, neste sentido, é um Curso com uma grande aplicabilidade profissional.

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Como é que a utilizas enquanto ferramenta de trabalho? (alunos e professores)

Como disse anteriormente, a realização deste Curso proporcionou-me um conjunto de saberes e experiências que partilho diretamente com as pessoas com quem trabalho. Por exemplo, com as turmas dos diferentes ciclos de ensino, tenho desenvolvido programas de Mindfulness que visam potenciar a atenção e concentração em sala de aula, bem como a relação interpessoal entre colegas e entre alunos e adultos, envolvendo sempre que possível os pais dos alunos.
Para professores, já realizei várias ações de formação, que consegui que fossem reconhecidas pelo Centro de Formação. São trabalhadas estratégias de gestão do stress, redução da ansiedade e, principalmente, um novo olhar sobre a profissão de professor, podendo estes ter uma muito melhor gratificação pessoal no seu dia-a-dia profissional.
Da avaliação realizada às sessões realizadas, quer com alunos, quer com professores, o feedback recebido, bem como as avaliações individuais, são extraordinariamente positivas, factor este que considero uma responsabilidade para mim enquanto Consultor Mindfulness, pois as solicitações para o desenvolvimento destes programas são cada vez mais.

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Sentes que o teu dia-a-dia se transformou depois desta formação? Se sim, que mudanças notaste?

Sim, mudou de forma bastante significativa, eu até costumo dizer, meio a brincar, mas muito a sério, que desde que pratico o Mindfulness os meus dias tornaram-se maiores. Isto é, o facto de estar mais presente e consciente, quer nas ações e tarefas que realizo, quer pela observação dos estados mentais e a sua flutuação, torna possível um grau de consciência e atenção plena que é uma ferramenta extraordinária para a minha satisfação de viver. Mesmo nos erros, dificuldades ou contraditórios, individuais ou com o outro, a possibilidade de aprendizagem com estas situações, é notoriamente mais elevada.

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Quem é O Rodrigo Fragoso depois de fazer a formação? E qual foi a tua maior descoberta? Dentro e fora (de ti)?

Pois bem, o Rodrigo é um novo Rodrigo, e quando observo os comportamentos que tinha anteriormente, dou-me conta da transformação que se deu em mim.
Durante a realização do Curso, através das leituras, do que fui convidado a escrever e a investigar, as questões colocadas e as Tutorias realizadas permitiram-me desenvolver capacidades que eu não reconhecia em mim. Quando, às vezes, pensava que gostava de poder realizar um projeto ou ter a capacidade de comunicar, e que isso era impossível, pois eu não tinha essa capacidade, hoje já não estou nesse lugar.
Este Rodrigo é uma pessoa com um grau de confiança e desejo de realizar, acompanhado pelo sonho e por acreditar, continuando a cometer erros, a aprender com eles.
Acima de tudo, o prazer de viver a vida de forma mais presente, partilhando sentimentos, medos e desejos, confiando e reconhecendo muito mais do que há em mim.
Acreditar e permitir-me a ser, ser e ter prazer de viver, com tudo o que a vida é.

 

 

 

MÓNICA FERREIRA
TUTORA DE “CONSULTORIA MINDFULNESS” – EDT
Propósito de Vida

Propósito de Vida

“Vivemos sempre os nossos valores. A grande descoberta é encontrá-los exatamente no lugar onde estamos. Agradecer por eles. E, num trabalho de aprofundamento interno e ação, criar a forma através dos quais os podemos expressar melhor. ” 


 

Atualmente vejo imensas pessoas em busca do seu propósito de vida e não deixo de refletir sobre isso e de me questionar… Afinal, todos nós vivemos o nosso propósito de vida, ainda que não tenhamos consciência disso.


Propósito de vida”, “missão de vida”, ou mesmo, “sentido de vida” são conceitos referentes à mesma coisa e que (re)nasceram na corrente da psicologia positiva, associados ao conceito de felicidade – “Se as pessoas viverem o seu propósito de vida são pessoas mais felizes.


Contudo, hoje em dia, deparamos com duas grandes questões que impedem muitas pessoas de verem que já estão a viver o seu propósito de vida:
1) Uma delas é considerarem que só são felizes se tiverem um excelente relacionamento, se tiverem um trabalho maravilhoso sem qualquer problema, se…. E os “se” continuam, ou seja, as associam a felicidade a algo que está fora e a áreas de vida;
2) A outra é que muitas vezes associam o propósito de vida à área do trabalho e da carreira, como se o propósito de vida só se pudesse viver aqui ou que dependesse desta área de vida.
Talvez seja importante pararmos e perguntarmo-nos: “O que é que me faz feliz?” ou “Como posso ser mais feliz?”.


Vitor Frankl, médico psiquiatra austríaco, fundador da Logoterapia, uma psicoterapia que que explora o sentido existencial do individuo e a dimensão espiritual da existência, relata a sua experiência nos campos de concentração, na obra “Um homem em busca de um sentido”. Durante esta sua vivência, ele observou que as pessoas que tinham um propósito eram as que sobreviviam, ou seja, as pessoas que davam um significado à sua experiência aceitavam e lidavam melhor com o que a Vida lhes trazia em cada momento.


Então, para sermos mais felizes é importante resignificar as nossas vivências/experiências? Sim e não. Não, porque pode não ser apenas e o suficiente. Sim, porque quando damos significado, sentimo-nos vivos, com um sentido, com uma missão de vida. E isto pode ser a diferença entre “sobreviver” (ser vitima) e “viver” (ser protagonista/responsável) em cada momento da nossa vida.


E se podemos ser o protagonista da nossa vida e dar um propósito à tua vida, a pergunta é, qual ou quais os valores que queremos viver nesta vida? Qual o valor que queremos que fique marcado na nossa pessoa, nesta vida?


Quando colocamos esta questão, estamos a referir-nos ao Propósito Interno, que vai variar consoante os valores de cada pessoa. Contudo, a questão é que muitas vezes pensamos que não estamos a viver os nossos valores e por isso não somos felizes.


John Demartini, especialista em comportamento humano e desenvolvimento pessoal, vem dizer-nos que não podemos não viver os nossos próprios valores, isso é apenas uma mentira que contamos a nós mesmos. Podemos é não estar a viver os nossos valores de acordo com as nossas expectativas, com aquilo que achamos que deve ser e não é. Por exemplo, imaginemos que um dos meus valores era a “Comunicação” e, na minha expetativa, para viver este valor devia estar a fazer palestras e a escrever para um blog, mas na verdade estou a trabalhar num serviço de atendimento ao público. A verdade é que eu vivo o valor da Comunicação, fazendo o que faço agora.


Ou, para um valor de “Amor (ao outro)”, eu considero que, para manifestar este valor deveria acompanhar pessoas em terapia, mas sou cozinheira. Como cozinheira, não viverei o valor do “Amor”?


É contexto para se dizer que as expectativas “estragam tudo”. Porém, não se vive sem expetativas, apenas podemos estar mais atentos a elas. E começar a pensar: o que quero priorizar na minha vida? Onde quero colocar o foco da minha vida? De que forma quero viver a minha vida? Como quero vivenciar os meus valores?


Quando passamos ao “como”, entramos no reino do Propósito Externo.


É preciso olharmos para este percurso com atenção, pois, tantas vezes nos esgotamos a lutar por um Propósito Externo, por essa Missão, esquecendo-nos do Propósito Interno, dos valores que nos guiam intimamente e que – esses sim! – dão verdadeiro sentido ao Caminho.


Quanto mais conectado estiver o nosso Propósito Interno ao nosso Propósito Externo, mais feliz nos sentiremos, com maior sentido na vida.


Então, quando se trabalha a nível de Propósito, a proposta será sempre – e por esta ordem – perguntarmo-nos:
– Quais são os meus valores?
– Como os posso pô-los em prática (vivê-los) na minha vida?


Vivemos sempre os nossos valores. A grande descoberta é encontrá-los exatamente no lugar onde estamos. Agradecer por eles. E, num trabalho de aprofundamento interno e ação, criar a forma através dos quais os podemos expressar melhor.

 

 

SÍLVIA DIAS
TUTORA DE “TERAPIA TRANSPESSOAL” DA EDT