A vocação que faz o coração bater mais forte

A vocação que faz o coração bater mais forte

Essencialmente, o nosso propósito de vida é aquilo que de mais importante um ser humano possui, fazendo parte do que somos e conferindo significado à vida de cada um. É crucial descobrir quem somos e o que nos torna únicos e diferentes. Falamos da paixão que pode transformar positivamente não só a nossa vida, mas também a dos que nos rodeiam. É importante encontrarmos a nossa missão na terra e, aos poucos, sabermos estar em paz com ela, fazendo sempre o possível para a cumprirmos da melhor forma.

É nesta área que Vanessa Oliveira atua. Com base na psicologia, centra-se em olhar para as pessoas, acompanhá-las em momentos de dor, crise e perda ou também de renovação, redescoberta, potencial e cultivo de uma relação mais profunda consigo mesmo/a, com a vida e com o mundo. “Os verdadeiros tesouros encontram-se nas profundezas e é por aí que caminho, pessoal e profissionalmente. Essa é a forma simples de falar de uma psicologia com Alma, que vai mais além do aspeto funcional e superficial.”

Conhecida como caçadora de sonhos, sempre perseguiu os seus objetivos com afinco e persistência, nunca deixando o entusiasmo de parte. “Não posso dizer que tenha um sonho… sempre tive muitos, de vários tamanhos e formas. Na infância tinha já uma Bucket List, ajustada à idade e aos meus olhos de criança, mas com sonhos projetados até à adultez.”, confessa.

Formada em Psicologia Aplicada, Psicoterapia e Consulta Psicológica, sempre aliou a ciência aos valor inestimável do lado “menos exato” da vida, tendo atuado em áreas como terapia transpessoal, constelações familiares, mindfullness e soul psychology. Considere que todas as áreas se conjugam na perfeição e que há espaço para os números e fórmulas na mesma medida em que há para a Fé e o Amor. “Existem de facto razões que a própria razão desconhece, ou seja, nem tudo pode ser abarcado pela função da racionalidade, da análise e da lógica.”

Para Vanessa, a reinvenção é parte crucial é indispensável do percurso de vida de alguém, e consigo própria não foi exceção, assumindo “Foi importante para mim viajar sozinha para sítios inóspitos, testar-me e aventurar-me em atividades radicais, inscrever-me em formações em idiomas que não dominava, dizer SIM a várias propostas antes de estar preparada e trabalhar e aprender depois, redirecionar a carreira da área da gestão para a área terapêutica, deixar a efetividade segura para começar projetos desde o zero, e arriscar, arriscar, arriscar, de muitas formas.”

Acredita que uma das fórmulas para a (re)descoberta é marcarmos um encontro connosco mesmos e predispormo-nos a descobrir/reconhecer quem somos debaixo das nossas capas e aquilo que realmente sonhamos e almejamos faz parte do caminho. Descobrir potenciais, recursos, vocações, paixões, crenças limitadoras, estratégias de proteção que já não servem ou traumas, são vias de uma mesma estrada. E como pano de fundo, trabalhar a relação, principalmente, connosco mesmos, pois é isso que vai possibilitar-nos sermos os nossos heróis ou carrascos quando chegarem os obstáculos, os imprevistos, as quedas, e os êxitos.

“Com o tempo tenho-me apercebido de que, salvo raras exceções em que a vocação é incontornável e gritante e “não podia ser outra coisa”, este caminho do propósito assemelha-se mais a um caleidoscópio, com muitas combinações e muitas possibilidades.”, afirma segura.

A Dream Tender acredita que o desenvolvimento pessoal é um caminho acessível a todos, que permite lapidar as arestas e reconhecer- mo-nos na nossa grandiosidade e na nossa pequenez, como seres humanos que somos, com potenciais para cumprir, recursos, forças insuspeitadas a puxar-nos e a suportar-nos, assim como sofrimentos e vulnerabilidades comuns. Todos queremos o mesmo: sermos vistos, reconhecidos e amados. Isto porque há algo que nasce connosco, apesar de haver também muito para trabalhar, enriquecer e aprimorar e barreiras para ultrapassar. Tudo isto se consegue com coragem, paixão e crença. “Não é um caminho fácil, mas é um caminho extraordinário. A outra opção, é viver sem se sentir realmente vivo.”

Em relação a uma Mulher rumo à Liderença, Vanessa Oliveira acredita que há sempre lugar para nos conhecermos melhor e nos darmos conta da dimensão infinita do que temos dentro. “Pode-se dizer que o caminho do desenvolvimento pessoal é um verdadeiro mar de rosas, porque tem essa beleza e perfume especiais e também uma série de espinhos onde nos ferimos com regularidade. (…) De forma construtiva, saber mais de quem somos, ajuda-nos a tomar boas decisões, a agarrar as rédeas da nossa vida e a retirar peso ao que vem do exterior e que muitas vezes sufoca aquilo que há em nós de mais precioso. No caso das mulheres, especificamente, permite-nos ocupar novos lugares na vida e no mundo, e ocupá-los honrando a nossa verdadeira natureza, sem tentarmos dar passos masculinizados para “vencer” nem cairmos na narrativa comum da desvalorização do tanto que aportamos, e da maneira como o fazemos. Esse desenvolvimento pessoal permite-nos também aprender a suster as constantes e irrefreáveis exigências externas (que depois se tornam internas) e os perfecionismos debilitantes e castradores. Uma mulher que aprende a amar-se, que sabe ser e aparecer vestindo a sua própria pele e temperamento, que não precisa de chegar a todo o lado para se sentir suficiente, e que se apercebe daquilo que para a sua Alma é “inegociável”, transforma todas as transições em momentos de dança, plenos de significado”, terminando com a citação de Agostinho, que apelida de “extraordinária”: “Tem a coragem de não te recusares ao Milagre de Ti próprio.”

Artigo publicado na Revista Liderança no Feminino

VANESSA OLIVEIRA
DIRECÇÃO EDT

 

 

As Primeiras Colheitas – regressar a nós

As Primeiras Colheitas – regressar a nós

Instruções para viver uma vida.

Presta atenção.

Espanta-te.

Conta sobre isso.

Mary Oliver

A quietude do tempo quente assemelha-se, em certa medida, à quietude dos meses de frio intenso, com o seu silêncio profundo que se entranha na pele. Se no inverno a natureza se rende ao movimento da descida e permanece nas suas profundezas, enquanto aguarda a vida que se mexe no invisível, convidando-nos a regressar ao corpo, aos lugares de quietude e à essência, o Verão convoca-nos a saborear os frutos do trabalho intenso em longos processos de contemplação.

Permanecer numa cadeira de baloiço, semicerrando os olhos com a carícia da brisa quente, e deixar que a explosão das cores, a dança constante das borboletas e a leveza bamboleante das abelhas permutem o nosso habitual espaço físico e mental de movimento. Ou deitar na praia, com a luminosidade do sol que nos adormece os sentidos e a frescura do mar salgado que limpa tudo o que não seja o agora.

Há uma certa sonância no Verão, uma espécie de melodia que desponta do próprio calor, do canto das cigarras e de uma paragem peculiar que surge do auge de um movimento. O calor intenso é, na verdade, a lembrança da diminuição dos dias e o breve retorno à descida.

Estas são as primeiras colheitas, os espaços da abundância, da cor e do sabor dos frutos. Elas fazem-se com o reconhecimento do árduo trabalho dos meses que a precederam, a gratidão pelo tanto que se colhe, e o respeito pelos tempos de descanso. Não se colhem cereais, ou frutos, no calor das três da tarde.

Para a grande maioria de nós, a colheita parece chegar diretamente do supermercado e as chamadas férias são limitadas a datas no calendário, sujeitas a ritmos escolares, tipos de trabalho e combinações prévias. A desconexão é grande e maior se torna quando não trazemos estes lugares dentro, seja através de vivências reais ou de experiências simbólicas internas. Pode não ser viável estar em contacto com os ritmos numa experiência viva de perceção, mas a vida acontece, as estações sucedem e são vividas por nós, consciente ou inconscientemente. Trazemos dentro o mito e este é a linguagem simbólica da própria Terra.

O labor exigente das estações anteriores leva à necessidade de parar. O calor pede-nos desaceleração e tempo para a colheita. Nada cresce quando remexemos incessantemente na terra, sem dar espaço e tempo aos arbustos para que se transformem em árvores, floresçam e deem fruto. Isto serve para a fruta que nos alimenta ou para os frutos do nosso trabalho pessoal, do empenho no emprego ou a busca de melhoria das relações com os outros.

Tudo aquilo em que se labora necessita de tempo e espaço para que a obra seja contemplada. É na paragem que percebemos as distâncias que foram percorridas, as mudanças que se operaram em nós ou o quanto uma relação cresceu. A colheita e a gratidão pelo que se colhe é parte do grande processo de transformação da Vida. Sem que aconteça, não esvaziamos e não permitimos que surjam novos lugares internos, novos processos de consciência e labor.

Esta fase – a colheita e a gratidão – é também uma das partes mais esquecidas numa sociedade muito pouco conectada com os ritmos da existência, sejam estes internos ou externos. Nestes lugares por onde caminhamos, torna-se status trabalhar até à exaustão e não celebrar colheitas e conquistas, ou dar espaço para pousio e contemplação.

Somos impelidos a funcionar de igual maneira em qualquer altura do ano, seja um tempo de recolhimento, de trabalho árduo ou de contemplação e abundância. Fazemo-lo também, em qualquer momento interno, seja de alegria extrema, de luto ou de vulnerabilidade física. E deixamo-nos queimar incessantemente, como se permanecêssemos ao sol das três da tarde, nos meses de calor. Nunca existiram tantos fenómenos de esgotamento, como nos dias que correm.

Se a quietude do Inverno nos pede espaços de recolhimento, sonos longos e silêncio, o Verão pede lugares de contemplação e balanço. Gratidão pelas colheitas, ainda que possam não ter correspondido a expetativas e ilusões que colocámos. E, sobretudo, espaço para que estas aconteçam, para que nos demos conta das mesmas. E saboreemos os frutos.

Talvez este lugar de expetativas goradas, que por vezes surge no momento de colheita, seja também o derradeiro lugar de crescimento, atualização de quem somos e fonte de aprendizagem sobre as formas como nos atraiçoamos a nós mesmos, nos sentimos atraiçoados ou simplesmente nos esquecemos de quem éramos. São, por isso, fonte da sabedoria e transformação. Há que honrar também estas colheitas, na medida que nos trazem de volta a quem somos. Que nos permitem escolher a vida. Isto também se chama amor.

Parar e contemplar é abençoar a safra, esvaziar verdadeiramente, criando espaços vazios que possam ser cheios com o apelo a novos passos no caminho, centelhas criativas de trabalho, de relações, de partilha, de quem somos.

Enquanto espaço de contemplação, nada nos enche tanto como a natureza. Ela tem a sua própria forma de nos preencher. Ela providencia alimento, beleza, lazer, frescura, alegria, comoção, inspiração. Desperta-nos os sentidos e recoloca-nos perante o tanto que nos é dado e o tanto que somos. Coloca-nos em contacto com o nosso Feminino Selvagem, indomesticado e recetivo.  E torna-nos contentores da sua sabedoria.

Regressamos a nós quando regressamos aos ritmos da Vida que acontece. Quando escutamos verdadeiramente o nosso lugar no mundo. E nos rendemos à sabedoria do chão que nos sustenta e acolhe.

Artigo publicado no nº 37 da Revista Vento e Água

ÉLIA GONÇALVES
DIRECÇÃO CRIATIVA E DE PROJECTOS

 

 

Facilitador de Respiração Holoscópica

Facilitador de Respiração Holoscópica

Facilitador de Respiração Holoscópica

Datas da Formação: 15 a 19 de Março 2023 e 3 a 7 de Maio de 2023

2 Encontros Formativos Residenciais 

Formação Presencial

2 Retiros Formativos, intensivos, vivenciais, com componente teórica e prática.

Metodologia

Imersão na vivência da holoscópica, enquanto participante e acompanhante. Material teórico de apoio.

Comunidade

Integração e partilha em grupo de trabalho dinâmico, durante os encontros vivenciais formativos

“O processo de respirar é o vínculo que une o consciente com o subconsciente, material tosco e material subtil, funções voluntárias e não voluntárias e, portanto, a expressão mais perfeita da natureza de toda a vida”

Foundations of Tibetan Misticism

A Respiração Holoscópica é uma das técnicas-estrela da Escola Transpessoal pelo seu potencial de descoberta e sanação. Quem passa por ela sente-a como uma experiência profundamente transformadora, onde a testemunha interna observa, de forma consciente, todo o processo. Com raízes milenares, foi cunhada pela Escola Espanhola de Desenvolvimento Transpessoal, tendo como pilares a meditação, a hiperventilação e a música, que tudo acompanha e facilita.

Uma experiência vivencial única de cada vez que a atravessamos, de imenso valor terapêutico, pode trazer compreensões de questões antigas e benefícios a nível físico, piscoemocional e da consciência espiritual. 

Oferecemos-te uma formação totalmente vivencial, onde a experiência de atravessar – acompanhado – é sentida como um verdadeiro parto, um lugar sagrado, que podemos depois levar ao outro com Inteireza e Amor.

O que vais encontrar nesta formação?

Formação, Transformação e Visão Terapêutica

Toda a formação está assente nestes 3 pilares; Os retiros serão facilitados por Terapeutas Transpessoais experientes.

Encontros de Práticas Residenciais

2 Encontros Residenciais Intensivos, onde serão abordados os conteúdos teóricos programados e será praticada a arte e a técnica no acompanhamento a outros. Estes retiros são essencialmente vivenciais e o aluno experimentará na própria pessoa o potencial transformador deste tipo de respiração. 

Datas: 

15 a 19 de Março 2023
3 a 7 de Maio 2023
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Manual Teórico

Durante a formação vivencial será entregue ao aluno um manual com todos os conteúdos teóricos inerentes a esta temática. 

A quem está dirigido?

• Alunos da EDT que tenham concluído os dois anos de formação na área da Terapia Transpessoal;
• Psicólogos e outros Técnicos de Saúde (sujeitos a apreciação curricular e entrevista telefónica)

Certificado

O aluno, ao cumprir os requisitos e finalizar a formação formação receberá o Certificado da EDT como Facilitador de Respiração Holoscópica.

Edições

Um curso por ano letivo

Duração

2 Encontros Formativos Presenciais

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Inscrição

info@escolatranspessoal.com

Formações

Espaço de Supervisão Terapêutica em Grupo

Espaço de Supervisão Terapêutica em Grupo

Um programa temático de aprofundamento, com encontros práticos que permitem uma supervisão “à medida”, e que contemplam o Ser-no-mundo, a espiritualidade e o significado no caminho do acompanhante de Alma.

Constelações Aplicadas à Consulta Individual

Constelações Aplicadas à Consulta Individual

Investiga os pilares da abordagem sistémica, explora as raízes dos teus próprios conflitos e limitações, e treina e integra ferramentas, recursos e dinâmicas para o acompanhamento em consulta individual.

Terapia Transpessoal

Terapia Transpessoal

Torna-te um profissional do acompanhamento e explora esta abordagem profunda e integral da alma humana.

Informações

Morada
Rua Padre Luis Aparício,
11, 4ºC
1150-248, Lisboa

Contactos
+351 215 958 889
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    A Forja de Hefesto – o processo de soul-making

    A Forja de Hefesto – o processo de soul-making

    “Alguém que eu amava deu-me, uma vez, uma caixa cheia de escuridão. Demorei anos a entender que, também isto, foi um presente.”

    Mary Oliver

     

    Hefesto é talvez um dos deuses mais paradoxais do Olimpo arquetípico. Filho de Hera – em grande parte das versões nasce por partogénese – tem uma aparência que destoa da beleza habitual dos outros deuses. Vem com um defeito num dos pés e um rosto grotesco. Esta diferença tão chocante fá-lo ser rejeitado pela mãe e atirado do alto do Olimpo até às profundezas do Oceano, garantindo-lhe, para além dos defeitos de nascença, uma série de outras cicatrizes.

    Acaba por ser encontrado por Tétis, após nove dias e nove noites, que o cria na ilha de Lemnos, uma ilha vulcânica repleta de cavernas, numa das quais ele cresce. É aqui, por entre a rocha e o fogo, numa ilha que canta às vísceras da Terra, que Hefesto desenvolve o seu talento e constrói a sua forja.

    Já adulto, consegue um lugar entre os deuses do Olimpo e casa com Afrodite, em algumas versões por exigência sua, noutras, por exigência de Hera numa tentativa de insultar a deusa da beleza. A bela Afrodite não o contestou e há quem diga, até, que ela o escolheu. Pois que um artista não cria sem a musa, nem a musa sobrevive sem a arte que ela inspira. Existem, no entanto, outras versões nas quais Hefesto seria consorte de Charis (a Graça), também ela um lugar de inspiração intensa.

    Torna-se, desta forma, o ferreiro do Olimpo e os mais importantes artefactos dos deuses surgem pelas suas mãos, tais como o carro de Apolo, os arcos e flechas usados por Apolo e Artémis ou o cetro de Zeus, entre muitas outras armas e joias de valor e beleza inestimáveis. Não sendo um deus que tenha popularidade ou apreço por parte dos outros deuses, ele ganha respeito através do seu trabalho, mostrando que não é a perfeição que produz arte, ou beleza.

    Hefesto é o deus imperfeito, o que carrega as feridas, o excluído. E, no entanto, é também o criador, o artesão, o senhor da forja, do trabalho e da criatividade, o mestre do fogo e dos metais. Ele tem acesso ao magma da própria terra e com ela opera o trabalho alquímico no fogo que vem das entranhas e das profundezas. O seu lugar é escondido, silencioso, tal como a caverna da forja, um lugar vulcânico, fechado e secreto. Envolve trabalho, esforço, paciência e maleabilidade.

    A imperfeição de Hefesto, as suas feridas e cicatrizes tornam-se o chão onde algo novo se constrói. A perfeição não cria, não molda, não cresce. Só o imperfeito, o que carece e tem espaços vazios pode almejar à busca, à transformação, ao florescimento.

    O deus da forja ensina-nos, então, a utilizar as feridas como húmus para o que em nós quer ser criado. Ele sai do paradigma ocidental da dualidade, da cura ou da erradicação do que não é belo, para o trabalho de alma.

    Este é um processo de interiorização, no qual tudo é matéria bruta a pedir para ser lapidada. É esse o lugar do artesão. Perceber o mundo, as estórias pessoais e o que nos coube viver como uma fonte inesgotável de criação. Pode não ser valorizado porque não é glamoroso. É necessário o submundo, o tempo, a solidão e a presença, a compaixão e o trabalho árduo para forjar a partir do fogo da alma, pegar nas estórias, feridas e memórias e permitirmo-nos trabalhar numa forma. Não há um lugar de superação no processo da forja. Ela pede-nos somente, mas implacavelmente, a expressão mais real e presente de quem somos. Necessita das mãos, do labor, o lugar que em nós serve de ponte entre a alma e o mundo. E o ato de lavar, dobrar, cozinhar, pintar, escrever, tecer, esculpir e transformar o que é dor em matéria – imagem é o puro potencial da forja de Hefesto.

    É também essa a essência do chamado trabalho da sombra. O desconhecido em nós, aquilo que rejeitamos e excluímos – por não aceitarmos o imperfeito, ou por puro desconhecimento – é, como Hefesto, atirado da luminosidade do Olimpo e dos Deuses (ou arquétipos) em nós para as profundezas do inconsciente, onde não é visto, mas entra em contacto com o fogo selvagem da própria alma, o lugar psíquico de nos forjarmos a nós mesmos. A sombra é, por isso, a matéria-prima, o potencial que pede para ser moldado, reconhecido e manuseado. É nas profundezas que reside o caldeirão alquímico onde podemos transmutar emoções em criações. Forjamo-nos pela capacidade de ser tocados pela vida, de pegar nas nossas circunstâncias e manuseá-las no âmago da existência. Transformar a dor em dom, trazendo vida e beleza ao que, aparentemente, parecia grotesco e defeituoso. Somos sempre o material mais extraordinário a partir do qual nos construímos. Nas palavras de James Hillman, este é o grande processo de soulmaking (fazendo alma).

    ÉLIA GONÇALVES
    DIRECÇÃO CRIATIVA E DE PROJECTOS

     

     

    Regulamento #mulheres

    Regulamento

    #mulheres

    “Por elas…

    por todos os corações peregrinos…

    para que eternamente possam encontrar-se e não passar sem se ver,

    mas que se mantenham perto umas das outras e se fortaleçam, 

    e com isso fortaleçam os perímetros e os portais do mundo da alma

    confiados à sua guarda.”

    | Clarissa Pinkola Estés |

     

    1. A campanha #mulheres atribui um desconto de 20% a todas as inscrições no Curso de Facilitadora Transpessoal de Círculos de Mulheres de Abril/2022. 

    2. Para beneficiar desta promoção a inscrição deve ser realizada até à data-limite de 31 de Março. Informações e inscrições nos links abaixo:

    Informações Gerais

    http://escolatranspessoal.com/formacoes/

    Programa e Inscrição:

    https://escolatranspessoal.bestgest.eu/training/curso_insc/facilitadora-transpessoal-de-circulos-de-mulheres 

    3. A oferta de 20% de desconto incide sobre o valor base do curso e não inclui o valor da matrícula.

    4. Considera-se aluno inscrito todo aquele que, tendo preenchido e enviado a ficha de inscrição, tenha efetuado o pagamento da matrícula. Não haverá devolução do valor da matrícula em caso de desistência da inscrição ou frequência curso. 

    5. Esta campanha não é acumulável com outras promoções, campanhas ou descontos.