“Love the world as your own self, then you can truly care for all things.” 

(Ama o mundo como a ti mesmo, e poderás realmente amar todas as coisas – tradução livre)

Lao Tzu


 

A forma como somos criados tem tanto de acaso como de intervenção divina. Como se naquele preciso instante em que um único espermatozoide, mais motivado, com mais sorte ou com a centelha dos deuses a seu lado encontra o seu destino selássemos um “sim” à vida num ato de criação profano que é ao mesmo tempo um mergulho de fé no sagrado. Um mistério, uma noite escura. Das que precedem sempre o nascer da luz.

Muito embora tantas vezes nos seja difícil olharmo-nos assim, como uma espécie de milagre único, individual e inestimável, quando começamos a olhar para dentro, num mergulho profundo de quem somos, sem atalhos, há um reencontro com sonhos antigos, pedaços de nós que se resgatam e uma sensação profunda de chegar a casa que nos permite tocar, nem que ao de leve, a emoção do Presente que é estar vivo. Aqui e agora.

Neste movimento interno de retorno a “casa” (que nem sempre é belo, luminoso ou feliz) damos a mão à consciência e abraçamos a responsabilidade da madurez, de tomarmos conta de nós mesmos e aceitarmos o nosso papel na nossa vida, no desenrolar das suas estórias.

E quanto mais fortemente habitamos a alma mais começamos, também, a olhar para fora, para os outros, para o mundo, com o mesmo olhar de compaixão, amor e cuidado que usamos para nós. Ficar onde estamos, sabendo que estamos no lugar e espaço certos. Permanecer, em escuta e abertura, em compaixão e inteireza. Não é somente uma escolha, é uma Arte.

Lá fora, fora de nós, há uma Mãe generosa e abundante que nos nutre, protege e sustenta. E se somos Todos Um, interligados neste momento do tempo, partilhamos esta Casa gigante em que verdadeiramente aquilo que acontece ao vizinho – ainda que ele esteja em África, na Índia ou Nova Zelândia – também nos toca, mais cedo ou mais tarde.

Com a consciência nasce a responsabilidade, e esta pede-nos que tomemos conta do nosso pequeno pedaço do mundo. Daquele que nos coube ocupar. Pede-nos uma relação saudável, equilibrada e nutridora com a Natureza, para que possamos deixar um legado a quem nos seguirá. Para que os nossos passos sejam guardados no coração de quem nos ama, e não em sulcos profundos com que possamos caminhar aqui.

É de facto um milagre poder ter ar fresco para respirar, água límpida para acalmar a sede, terra próspera para plantar alimento. É um milagre observar a diversidade de vida que nos oferece este planeta, da qual fazemos intrinsecamente parte. É um milagre Sermos.
Recebamos estes milagres de peito aberto, sentindo o mistério da vida, e ofereçamos de volta, com a mesma sensação de sagrado, o nosso cuidado atento a esta Casa que tão bem cuida de nós.

 

MARGARIDA MONARCA
EDUCAÇÃO MINDFULNESS – ESCOLA DE DESENVOLVIMENTO TRANSPESSOAL