O Sentido da Vida

O Sentido da Vida

O Sentido da Vida

Conforme a capacidade de perceção do ser humano evolui, ela atravessa o mundo das aparências e adentra nas camadas mais profundas da “casca da cebola”. Chegamos a níveis onde habita a fonte do sentido que movimenta o caminho da vida.

Quando temos um motivo profundo para fazer as coisas o esforço diminui e, no seu lugar, surge uma corrente de “força”. Por acaso a vida em si mesma tem um sentido? Não sabemos se um gato pode fazer-se esta pergunta, nem sequer se dela necessita. Contudo, existem pessoas que, ao atravessar determinadas etapas da existência, fazem essa pergunta desde o mais profundo de si mesmas, talvez por sentir que é chegada a hora de amadurecer a sua alma.

Se o rumo da nossa navegação pela vida tem sentido, os ventos contra ou a favor não serão vividos como casuais, nem impedirão o continuar da travessia. É curioso que, quando o nosso ato de remar em frente está ancorado num significado profundo, surge sempre um farol no meio da tempestade. E sabemos bem o quanto, o facto de termos um motivo profundo para a travessia, nos permite levar grandes cargas.

Valorizemos a força que emerge quando nos tornamos conscientes do sentido que tem aquilo que nos ocorre no dia a dia. O sentido que a vida tem para cada um de nós não é somente uma fonte de força que nos chega do propósito, ele molda a nossa missão de vida e, com ela, a vocação que nos inspira.

“Quem tem um para quê, pode suportar qualquer como”

José Maria Doria
Fundador da Escola de Desenvolvimento Transpessoal
Fonte: “Las 40 Puertas, un camino hacia la inteligencia transpersonal y el Mindfulness” – See more at: http://escolatranspessoal.com/blog/o-sentido-da-vida#sthash.7vpvt0Rd.dpuf

O Poder do Mito

O Poder do Mito

O PODER DO MITO – Quando as Estorias nos Curam

O Poder do Mito
Quando as estórias nos curam

“Sempre que se conta um conto de fadas, a noite vem. Não importa o lugar, não importa a hora, não importa a estação do ano, o fato de uma estória estar sendo contada faz com que um céu estrelado e uma lua branca entrem sorrateiros pelo beiral e fiquem pairando acima da cabeça dos ouvintes. Às vezes, ao final de um conto, o aposento enche-se de amanhecer; outras vezes um fragmento de estrela fica para trás, ou ainda uma faixa de luz rasga o céu tempestuoso. E não importa o que tenha ficado para trás, é com essa dádiva que devemos trabalhar, é ela que devemos usar para criar alma.” Clarissa Pinkola EstésQuando se usam as palavras mágicas com que se iniciam os contos de fadas e as estórias mitológicas, algo acontece. “Era uma vez”, “Há muito, muito tempo”, “Num reino distante” … são frases que mudam a nossa forma de estar. As vozes baixam até desvanecer, os rostos adquirem a expressão da curiosidade e cada palavra proferida ressoa no meio do profundo silêncio de quem escuta. Esperamos estas reações das crianças, mas uma boa estória, proferida na entoação adequada, com a emoção de “quem a presenciou”, causa o mesmo efeito nos adultos. Facilmente se escutam suspiros de enlevo no final de uma boa estória. Seja ela terminada com “e viveram felizes para sempre”, ou “e ainda hoje os podemos ouvir, se escutarmos com atenção”.

O que nos leva a ficar “presos” numa estória? A pegar num bom romance para ler? A viver um filme com lágrimas nos olhos?

Vivemos as estórias não somente como se fossem nossas, mas PORQUE são nossas. É o que nos ressoa que nos comove, nos alimenta e nos cura. Podemos não conhecer o herói ou a heroína, mas certamente já vivemos essa estória, ou uma parte dela, em algum momento da vida. É essa faceta que nos toca e move e, através dela, conectamo-nos com os sentimentos dos heróis, as suas mudanças e as resoluções da sua demanda. E nos inspiramos para a nossa.

A arte de contar estórias era sagrada para os nossos ancestrais. A informação era passada oralmente, daí a importância de não poder ser esquecida. Por isso, o homem ou a mulher sábios – na figura de mestres – davam voz ao conto, ao mito, e o conhecimento era passado através de uma metáfora. A voz do mestre era sagrada e as suas palavras absorvidas num ritual, que unia pessoas, passado e presente. Desta forma, e através da identificação com a estória e inspiração profundas pelas palavras proferidas, eram transmitidos valores, tradições, vivências e segredos profundos para momentos importantes da vida.

Carl G. Jung, fundador da Psicologia Analítica, dedicou grande parte da sua vida ao estudo dos mitos. Através das suas viagens e estudos, apercebeu-se de que todos os povos do mundo contam os mesmos mitos. Com roupagem diferente, nomes distintos e um toque cultural próprio de cada lugar, o enredo e a mensagem é igual em todos os lugares. Estes estudos levaram Jung a desenvolver o conceito de Inconsciente Coletivo, a camada mais profunda da psique humana, formada por informação comum a toda a humanidade e que se manifestaria através de sonhos, imagens, símbolos e, neste caso concreto, tornando-se acessível sob a forma de mitos.
Outro conceito de Jung foi a noção de arquétipo, que poderíamos definir como “imagem primordial”. São imagens psíquicas comuns a todos nós e que se ativam em determinadas fases da nossa vida. A mãe, o herói, a guerreira, o pai, a anciã.

Todos possuímos estas imagens arquetípicas dentro de nós e, de acordo com os momentos da vida, sentimo-nos e funcionamos numa dessas formas. Podemos não ter noção clara de que estamos a viver o arquétipo, porém, quando ouvimos um mito, um conto em que ele esteja ativo, o simbolismo da estória fala-nos diretamente à alma. Somos a personagem, a metáfora dos seus conflitos é um espelho dos nossos conflitos e ganhamos, descobrimos dentro, resgatamos a mesma capacidade de sair da crise.

Todas as boas estórias têm a mesma receita. O conflito ancestral entre o bem e o mal, um desafio quase impossível e a descoberta de recursos que não sabíamos que tínhamos. Uma lição de moral sobre a força que nos sustém e nos faz avançar e a transmissão de valores universais. Uma pequena estória, com uma boa dose de inspiração, pode acordar em nós a “magia”, essa força que desperta heróis e nos inspira a tornarmo-nos a personagem central da nossa estória.

Necessitamos do conto, do mito, da lenda pessoal. Vivemos no hemisfério esquerdo do cérebro, com a racionalização da vida, a política e as contas mensais, o trânsito e a escola das crianças. O pragmatismo tomou conta do mundo e poucas vezes a arte, o silêncio e os apelos da alma são prioridade. Mas o hemisfério direito comunica e expressa-se doutra maneira. Através do não explicado, do mistério, do símbolo e do ritual. A estória é contada pelo hemisfério esquerdo, mas a metáfora do mito é entendida pelo hemisfério direito. Joseph Campbell, investigador do mitos e autor de “O Herói das Mil Faces” defende ativamente o valor e o poder dos mitos e das estórias como fonte de sabedoria e conexão com o que há de mais importante na vida. “Mitos são pistas para as potencialidades espirituais da vida humana. Eles ensinam que você pode voltar-se para dentro e começar a captar a mensagem dos símbolos. O mito ajuda-o a colocar a mente em contato com essa experiência de estar vivo. Esses bocados de informação, provenientes dos tempos antigos, que têm a ver com os temas que sempre deram sustentação à vida humana, que construíram civilizações e enformaram religiões através dos séculos, têm a ver com os profundos problemas interiores, com os profundos mistérios, com os profundos limiares da travessia, e se não souber o que dizem os sinais ao longo do caminho, terá de produzi-los por sua conta.”

A tradição do contar estórias começa a revitalizar-se no campo da terapia, sobretudo, mas também na vida das pessoas para quem o símbolo, o conto e os rituais são uma forma de alimento para as suas vidas diárias. Não são somente os mitos antigos que são terapêuticos. Num mundo em evolução, repleto de novas tecnologias, descobertas e novas formas de vida, uma boa estória transforma-se num “novo mito”. Seja Harry Potter, Luke Skywalker (Guerra das Estrelas), a princesa Mérida (Brave) ou Elsa de Arendele (Frozen), revemos nas novas estórias os mesmos arquétipos de mitos antigos. E também estes se revestem de novas roupagens, nomes diferentes e pistas referentes à cultura de hoje em dia. As estórias falam connosco de formas insuspeitas. Através delas, percebemos os valores universais dentro de nós, a força, sensibilidade, as nossas características heroicas. A forma como tocados por um mito diz-nos quem somos, nesse instante da nossa vida, o que valorizamos e qual o “percurso arquetípico” que podemos fazer para chegar aos nossos sonhos.

Invista em conhecer a mitologia antiga, as estórias universais e, sobretudo, o folclore e as lendas do local onde cresceu, onde vive. Há muito a descobrir nas entrelinhas desses contos. Há muito de si, em cada personagem, nas suas forças e fraquezas, na sua capacidade de amar. Conte aos seus filhos as histórias de família, da sua infância. Ou outras estórias. Dê-lhes tempo para absorver as metáforas, ser o herói ou a heroína de um conto de fadas, identificar-se com os super-heróis.

As estórias fazem-nos bem. Elas nutrem-nos e curam-nos. Os seus exageros, atos mágicos e demandas são os nossos. Têm somente um nome diferente e caminhos mais “espetaculares”. Mas enfrentamos magos e feitiços e caminhos escuros todos os dias. Encontramos artefactos mágicos e bênçãos a cada etapa do caminho. Reconhecemos esses instantes, se estivermos atentos à nossa própria vida. Por isso, da próxima vez que se sentar a ler um bom romance, tenha em conta de que está a fazer mais do que aproveitar o lazer, ou gastar tempo. Recorde-se que está a alimentar a sua alma.

Pare, pense e reflita:

– Vive o dia-a-dia e o pragmatismo como se fossem as únicas coisas importantes? Ou arranja espaço na sua vida para o mito? Tem tempo para ler, contar ou ouvir estórias? Procure encontrar formas de nutrir a sua alma.
– Qual é a sua estória preferida? Com que personagem mais se identifica e o que é que tem a ver consigo? Que pistas lhe dá essa personagem e a sua demanda para a sua vida pessoal?
– Em momentos de crise, encontre a sua personagem mítica interna e descubra os seus recursos secretos. Se quiser, procure recordar as estórias que evocam essa mesmo personagem. Viva a experiência de estar viva.

Élia Gonçalves
Coordenadora Pedagógica EDT
Psicóloga e Terapeuta Transpessoal

Artigo publicado na revista HEALTH ADVISOR
http://healthadvisor.pt/2017/05/17/poder-do-mito-as-estorias-nos-curam/

Suster a Dor, Soltar o Sofrimento

Suster a Dor, Soltar o Sofrimento

Suster a Dor, Soltar o Sofrimento

A dor e o sofrimento fazem parte da vida, mas não são sinónimos: o sofrimento emocional pode ser eliminado, pese embora a dor seja inevitável. A dor é um mecanismo orgânico que põe o nosso sistema em estado de alerta. A dor emocional constitui-se num sentimento negativo que surge face a determinadas situações vivenciadas como negativas. Composta por uma só emoção, de duração relativamente curta e proporcional ao evento que a produziu, surge no momento em que nos sentimos feridos física e/ou emocionalmente. O sofrimento é a resposta cognitivo-emocional que temos face à dor, uma constelação de emoções e pensamentos que se entrelaçam de um modo intensivo, numa dança que se pode perpetuar indefinidamente, se assim deixarmos. Uma dor emocional poderá ser a tristeza profunda face à perda de um ente querido, mas o sofrimento instala-se quando essa mesma tristeza se converte numa depressão que poderá incluir sentimentos permanentes de raiva, insegurança, desespero, etc. e pensamentos reiterados, tais como: “É injusto!”, “Não merecia isto!”.

O sofrimento tem origem em estados emocionais negativos e equivocados, dependentes das interpretações que damos aos acontecimentos. Como se processa internamente, podemos ter controlo sobre, logo é opcional e pode, efetivamente, ser largado. Vivemos numa cultura e sociedade que negam e evitam a dor a todo o custo, o que está na raiz da dificuldade em saber manejar a mesma e aprender com ela. Por essa razão, quando vivemos uma situação dolorosa, sentimo-nos sozinhos e incompreendidos. O maior dilema não é o próprio sofrimento em si, mas o modo de lidar com ele.

Um caminho de resolução, através da expansão da Consciência.

Se conseguirmos suster a dor, permanecer com ela enquanto adultos que somos, sem rebolar no sofrimento, nem alienarmo-nos com o chamado “bypass espiritual” , chega um tempo em que ela começa a despertar-nos, dando-nos a possibilidade de questionar se é necessário o sofrimento na nossa vida e se não existirá uma outra forma de viver que seja mais plena: O que é a realidade? Quem sou? O que quero realmente da minha vida? Como criar uma vida mais positiva? Qual a minha missão? Paradoxalmente, é graças à dor que podemos amadurecer e expandir a nossa consciência.  

O apego ao sofrimento

O apego impede-nos de largar o velho e partir para o novo e é um obstáculo para qualquer mudança verdadeira, estando na origem do sofrimento. Quando encontramos justificações para ficar onde estamos e continuar da mesma forma, apesar das queixas reiteradas, estamos na presença do apego. Esta emoção confunde-se com quem somos e pode esconder algo mais profundo: o “apego ao sofrimento”, com o decorrente medo do novo, do desconhecido. Mudar é recuperar o poder pessoal e fazer escolhas das quais teremos que assumir total responsabilidade, o que significa eliminar o “conhecido e confortável” papel de vítima e implica sair da zona defensiva de conforto. Apenas o próprio, munido do desejo de mudança, e coadjuvado por um trabalho terapêutico profundo, pode sair deste ciclo infernal, rumo a uma liberdade de Ser.

Dois planos de consciência

De modo a estarmos “bem”, apesar das coisas poderem estar “mal”, sem cair na negação, necessitamos identificar dois planos de consciência: o eu que observa (o observador ou testemunha) e o eu que experimenta (o ego ou personagem, a “persona” ou máscara com a qual nos identificamos erradamente). Apenas o eu observador, o qual existe num espaço de harmonia interior, se pode dar conta daquilo que ocorre no cenário no qual se move o nosso ego: corpo, emoções e pensamentos. Testemunha isenta da desarmonia externa, “guia interno” que nos apoia e ajuda a tomar consciência do sofrimento emocional, quanto mais estamos nesse plano do observador (através da Atenção Plena e/ou da Meditação), mais harmonia interna sentimos.

Soltar o sofrimento passa por aprender a descobrir o “personagem” que interpreto automaticamente, quem acredito ser e não sou, aprender a descondicionar-me, a não colocar a causa da minha felicidade no exterior, a desidentificar-me daquilo que é passageiro, observando os movimentos da personalidade, integrando luzes e sombras, dando espaço ao Ser que sou para se expressar na vida diária e tomar consciência da impermanência do que há e do que é pois, na vida, tudo responde a “ciclos”: a segurança não existe e tudo muda constantemente. Nesta sequência podemos vivenciar momentos de cura emocional, nos quais a auto-consciência dá um salto, permitindo-nos ver o nosso ego com uma ternura infinita e compreendendo que, apesar de existirem ainda problemas por resolver, “está tudo bem”… a crise em si, passa a ser oportunidade de evolução… e o poder de actuar um fabuloso e merecido Presente!

Lúcia da Costa Soares
Terapeuta Transpessoal

A Bela Adormecida e o Beijo do Despertar

A Bela Adormecida e o Beijo do Despertar

A Bela Adormecida e o Beijo do Despertar

Se o nosso corpo é um mistério, uma dança bioquímica, a Consciência continua a ser um dos maiores enigmas da humanidade pois, como dizia Teilhard de Chardin: “Não somos seres humanos a viver uma experiência espiritual, somos seres espirituais a viver uma experiência humana.”

Quem somos? O que é a consciência?
A consciência é essa “Bela Adormecida” que espera ser despertada com um beijo (conhecimento superior) do seu Amado (autoconhecimento). É curioso observar que, quando perguntamos a alguém: “Quem é?” invariavelmente a resposta costuma ser o nome ou a profissão… no entanto, será que a pergunta foi respondida? O nome ou a profissão apenas revelam um aspecto da pessoa e, mesmo que nos fale da sua personalidade, sonhos ou pensamentos, no fundo, continuamos sem saber quem é.

Quem somos realmente?
Surge-me a definição que Deus ofereceu a Moisés: “Eu sou o que sou”. EU SOU… ou seja, “sou consciente de que sou”, de que existo… e sinto imediatamente que é essa consciência que define o nosso ser. Em termos holísticos, somos Consciências cujo véu do esquecimento fez esquecer a origem, aprisionadas no vasto mar do inconsciente que viemos recordar e desvelar.  

Cérebro, Mente e Consciência

 
Somos Consciências, ou seja, energias plenas de vida e sabedoria esquecida.  Etimologicamente, consciência vem do latim conscientia, que significa “com conhecimento”, ou seja, a consciência é o acto psíquico através do qual a pessoa se percebe a si mesma no mundo e ao mundo. Se os Sentidos captam a informação (do interior e do exterior), cabe ao Cérebro processar essa informação e à Mente atribuir-lhe um significado, tendo em conta as memórias e o inconsciente coletivo que nos ancora num passado como espécie. A consciência é como uma pedra preciosa em estado bruto, que podemos ir polindo e embelezando com primor. Isto supõe capacidade de liberdade e a possibilidade de ir além dos pensamentos automáticos, produtos de crenças e preconceitos que interiorizámos. Quando nos atrevemos a deixar de nos identificar com a forma distorcida ou reduzida através da qual a nossa mente representa a realidade, ficamos capazes de pensar com maior eficácia, pelo que a consciência vai mais longe que o pensamento.

Como despertar a Consciência


A atenção plena, a respiração e a meditação, constituem as chaves da abertura e expansão da consciência. Utilizemos as mesmas… com a curiosidade da criança interior que ainda levamos dentro e a persistência do adulto que agora nos habita, pela mão do nosso Eu-testemunha.
Se o nosso ser é essa consciência, tudo o que fizermos para desenvolver o nosso ser, passa por despertar a nossa consciência, deixando de sermos vítimas do mar desconhecido e revolto que, por vezes, a vida constitui. É deixar de estar anestesiado, é viver e não apenas existir. Colocar consciência na nossa vida diária, automatizada e apressada no seu devir, passa pela Atenção Plena, pelo “dar-se conta” dos pensamentos, das emoções, dos comportamentos e das expectativas pessoais dessa persona(gem) que diariamente encarnamos e daquilo que nos rodeia (cores, ceros, sons, sensações), despertando uma parte de nós que passa o dia adormecida e anestesiada pelos automatismos aprendidos.

O silêncio fértil

Ainda há pouco tempo erámos crianças mais ou menos despreocupadas… que viamos a idade adulta como que através de um par de binóculos virado ao contrário… longe. Num ápice já estávamos imersos num frenesim de reponsabilidades, numa roda viva de problemas… sum muito tempo para sorrir, quanto mais para parar. Presos num ego funcional e de automatismos feito, habituámo-nos ao ruído exterior que cada vez mais nos leva para longe do nosso fértil silêncio interior. Pensar é demasiado barulhento e a consciência só pode brotar de um espaço de silêncio… só o encontro com o silêncio, com uma profunda escuta observada desses amplos espaços que existem entre dois segundos, nos pode levar ao encontro com os diferentes níveis de consciência.

O caminho para se atingirem níveis cada vez mais profundos de consciência é a atenção, a observação, o estar presente no eterno aqui e agora, transcendendo a dualidade da mente e os juízos de valor, entrando em contacto com uma parte profunda do nosso ser, neutra e sanadora ao mesmo tempo. Isto permite-nos começar a tomar consciência das atitudes e emoções exageradas, pensamentos redundantes e ruminativos, comportamentos automáticos, atitudes de manipulação, posturas de dependência. Quando nos damos conta, abrimos a possibilidade de um maior leque de opções e compreensões, essenciais à evolução pessoal, permitindo ajustes harmoniosos ao nível comportamental e a adopção de atitudes mais equilibradas e adequadas.

Só através do despertar da nossa consciência é possível iniciarmos uma mudança e transformação do nosso eu… como diz um amigo meu inglês: Rising consciousness is as the first rising of the sun! – Sem dúvida, elevar a consciência é como o primeiro nascer do sol: luminoso, brilhante… prometedor!  

Lúcia Costa Soares
Tutora
Terapeuta Transpessoal
Consultora em Mindfulness

Há que parar

Há que parar

Há que parar

Por vezes, não sabemos o que buscamos. A falta de clareza consome mais do nosso tempo do que tudo o resto.
O que é essencial?
O que é acessório?
O que é ilusório?Basta-nos a vida que temos? Somos nós suficientes para a vida que queremos? Somos nós suficientes para o que a vida quer de nós?Ora a vida… …se não fossem aqueles pequenos, pequenos, pormenores…
…o atraso para aquela reunião; a avaliação medíocre naquele item minúsculo, o vinco na roupa, a nódoa!, o cabelo despenteado, a resposta que não sabemos, a resposta certa que demos no tempo errado, a chamada que não ouvimos no telefone, os 50 cêntimos a menos, a cara que se virou para o outro lado no momento em que sorrimos, a empregada antipática, o buraco na meia, a poça de água, as três tarefas para fazer ao mesmo tempo, a piada de quem ninguém se riu, a notícia da qual tínhamos de ter sabido e, claro, a tecnologia…

E vêm aqueles dias… aqueles… em que temos muito mais duvidas do que certezas. Aqueles em que NÃO SEI está presente em todas as nossas ações.
A vida… às vezes parece que não lhe ensinaram “boas maneiras”…

Mas… recebemos também neste pacote “vida”, o Livre Arbítrio. O Discernimento.  A Consciência. A Vontade. Nasceram connosco. Da mesma forma que algumas circunstâncias.

O que fazemos com aquilo que nos foi dado? O que escolhemos ver? O que escolhemos usar? O que escolhemos semear? Quem dera que o discernimento, o foco, a clareza, fossem tão fáceis e rápidos de “instalar” como as apps nos telemóveis! Um “touch” e voilá!

Assim não é. As apps são fáceis de aplicar. Mas têm prazo de validade. Caducam. Servem só para determinado objetivo. A consciência, a clareza e a presença não são apps. Mas não caducam, não têm prazo de validade e aplicam-se a cada instante da existência.

Há que parar. É, há que parar. De tantos estímulos que temos no exterior, só conseguimos escutar o nosso “estímulo” interior se nos aquietarmos. Se queremos escutar uma música, paramos o ruido… Se queremos escutar “a nossa música”, a que toca dentro de nós… …teremos que fazer o mesmo. Há que fazer Silêncio. Há que respirar, sabendo que o fazemos. Há que dar espaço à vida para que esta aconteça. Há que viver, sabendo que estamos vivos.

Por quanto tempo? O tempo suficiente. Quanto de nós queremos escutar? Uma canção? Um cd? A obra completa?

Parar não é fácil… …mas a verdade é que a falta de Clareza consome muito da nossa vida. Consome muito de nós mesmos…

É no silêncio que descobrimos o prazer de estar connosco mesmos. É na quietude que o amor que testamos o amor próprio. É no agora que encontramos a oportunidade perfeita para ser quem somos. E perceber que chega perfeitamente.

Mónica Ferreira
Terapeuta Transpessoal
Consultora em Mindfulness Transpessoal